Foi no Centro de Alto Rendimento (CAR) de Rio Maior que Miguel Nascimento encontrou as condições para se tornar profissional do desporto, depois de crescer no Algarve, onde o clube em que treinava dispunha de menos recursos. O nadador olímpico destacou a importância destas estruturas na preparação de atletas de alta competição.
“Aqui tornei-me profissional do desporto”, afirmou no Encontro Nacional do Alto Rendimento, realizado em 22 de setembro, em Rio Maior, segundo a Lusa.
Com 66 títulos nacionais e 122 pódios na carreira, Miguel Nascimento começou a treinar naquele centro em setembro de 2014. Recordou que, no Algarve, “o clube onde treinava não tinha tantas condições” e que foi o CAR de Natação que lhe permitiu “dar o pulo”.
Piscina e escola a dois minutos a pé
O atleta salientou as vantagens de residir num espaço que reunia as condições necessárias para conciliar treino, estudos e recuperação.
“Um CAR é um ‘cluster’ de atletas que estão vocacionados para o mesmo objetivo”, explicou, destacando o acesso a “uma piscina e uma escola a dois minutos a pé”. Essa proximidade proporcionava o “repouso” que considera crucial para o alto rendimento.
No mesmo painel, dedicado ao impacto destes centros na preparação e no sucesso desportivo nacional, participou o selecionador nacional de futsal, Jorge Braz.
Comparando as estruturas portuguesas com as de outros países, o treinador considerou que existem “coisas melhores e coisas piores”. Entendeu essa realidade como uma vantagem para atletas que, na sua perspetiva, “não podem exigir sempre serviços de alto nível”.
Formação deve responder às necessidades dos clubes
Noutro painel, sobre a capacitação e qualificação dos CAR, o diretor da academia de formação da Federação Portuguesa de Futebol, André Seabra, defendeu uma mudança na oferta formativa do desporto.
“Temos que ser capazes de resolver os problemas dos clubes”, afirmou, considerando que a formação “está ultrapassada” e deve ser pensada “em função da realidade dos clubes e dos atletas”.
O responsável propôs a criação de “ambientes de simulação”, nos quais equipas interdisciplinares possam estudar soluções para os problemas encontrados na formação.
Também Tiago Barbosa, da European Aquatics, e Pedro Sequeira, da Confederação de Treinadores de Portugal, defenderam a interdisciplinaridade. Os dois intervenientes destacaram o envolvimento da academia, da indústria e dos municípios no “apoio à inovação no desporto”.
Fórum europeu trouxe debate internacional a Rio Maior
O encontro marcou o arranque do Fórum Europeu da ASPC — Association of Sport Performance Centres, ou Associação de Centros de Alto Rendimento —, com programação até 25 de setembro, em Rio Maior, no distrito de Santarém.
Realizado pela primeira vez em Portugal, o fórum reuniu mais de 100 participantes de mais de 16 países e de três continentes. Estiveram representados cerca de 40 Centros de Alto Rendimento, organizações olímpicas e paralímpicas, federações, investigadores, treinadores, atletas e especialistas.
A agenda incluiu investigação, inovação e desenvolvimento nos CAR, desporto paralímpico e inclusão, governação, gestão e certificação destas estruturas, liderança e desempenho sustentável.
A conciliação entre a carreira desportiva e outros percursos dos atletas, bem como o papel dos Comités Olímpicos Nacionais e dos CAR na preparação para grandes eventos, integraram igualmente os temas previstos.
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