Quem precisar de abastecer o carro encontra algum alívio nos preços dos combustíveis esta semana. As previsões iniciais apontavam para uma redução próxima dos 12 cêntimos por litro no gasóleo e de 12,5 cêntimos na gasolina, embora parte dessa descida seja anulada pela redução do desconto aplicado pelo Governo no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP).
Feitas as contas com o efeito fiscal, o gasóleo deverá ficar cerca de 8,5 cêntimos mais barato por litro e a gasolina deverá descer aproximadamente 10 cêntimos. Com base nos valores da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e nas previsões disponíveis, o preço médio do gasóleo simples deverá aproximar-se dos 1,931 euros por litro, enquanto a gasolina simples 95 poderá recuar para cerca de 1,855 euros.
Há postos onde pode conseguir preços ainda mais baixos
Os valores médios não significam que todos os postos de abastecimento pratiquem o mesmo preço. A marca, a localização e a política comercial de cada operador podem fazer variar consideravelmente o montante cobrado, mesmo entre bombas situadas na mesma região.
É precisamente aqui que os consumidores podem procurar uma poupança adicional. A DGEG disponibiliza o portal Preços dos Combustíveis Online, onde é possível consultar os valores praticados nos postos de abastecimento e comparar as opções existentes perto de casa, do trabalho ou ao longo de uma viagem.
Para encontrar os postos mais baratos, basta aceder ao portal, selecionar a opção “filtrar por município”, escolher o distrito e depois o concelho pretendido. É também possível selecionar o tipo de combustível, facilitando a comparação entre os preços praticados pelos vários estabelecimentos.
Descida podia ter sido ainda maior
A redução sentida nas bombas ficará abaixo daquela que inicialmente seria esperada a partir da evolução dos mercados. Isto acontece porque o Governo reduziu o desconto atualmente aplicado no ISP, absorvendo assim uma parte da descida do preço antes de esta chegar ao consumidor.
O Executivo tem utilizado este imposto como mecanismo para amortecer oscilações mais acentuadas nos combustíveis, ajustando a carga fiscal em função da evolução dos preços. Uma nova alteração do desconto no ISP poderá, por isso, voltar a influenciar os valores efetivamente cobrados nos postos.
O preço final continuará também dependente de cada operador, pelo que a descida de 8,5 cêntimos no gasóleo e de 10 cêntimos na gasolina deve ser entendida como uma referência e não como um valor obrigatório em todas as bombas.
Governo quer perceber como são formados os preços
Entretanto, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, pediu à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) uma análise detalhada à formação e à evolução dos preços praticados nos postos de abastecimento.
O objetivo passa por perceber se os preços pagos pelos consumidores acompanham a evolução das cotações internacionais do petróleo, da gasolina e do gasóleo e, sobretudo, com que rapidez os operadores repercutem nas bombas as subidas e as descidas verificadas nos mercados.
A ERSE recebeu o pedido a 15 de julho e dispõe de 20 dias úteis para apresentar a análise. Caso estejam reunidos os pressupostos previstos na legislação, a ministra pediu ainda que seja avaliada uma eventual proposta de fixação excecional de margens máximas na comercialização dos combustíveis.
Petróleo continua condicionado pela tensão internacional
A evolução dos preços tem sido marcada nas últimas semanas pela instabilidade geopolítica no Médio Oriente. A guerra no Irão, as tensões em torno do estreito de Ormuz e as alterações no conflito fizeram oscilar as cotações internacionais, com reflexos posteriores nos preços praticados em Portugal.
Depois de uma subida inicial, os combustíveis chegaram a aliviar durante o cessar-fogo entre Washington e Teerão, antes de voltarem a ficar sob pressão com o retomar do conflito. A tendência deverá agora inverter-se temporariamente nas bombas portuguesas.
O contrato genérico do petróleo Brent, referência para a Europa, avançava 0,92% para 83,25 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), utilizado como referência nos Estados Unidos, subia 0,58% para 77,74 dólares. Já o gás natural no mercado TTF dos Países Baixos valorizava 1,45%, para 56,58 euros por megawatt-hora.
Segundo a agência Fars, o Irão prevê ainda controlar, em conjunto com Omã, a entrada e saída de embarcações do golfo Pérsico e cobrar «taxas de trânsito» no estreito de Ormuz, um desenvolvimento que poderá continuar a condicionar a evolução dos mercados energéticos internacionais.
















