Um grupo organizado entrou em pelo menos 16 casas de idosos na Grande Lisboa recorrendo a um método que passava despercebido à primeira vista. A estratégia envolvia a utilização de batas brancas e a simulação de funções ligadas à área da saúde, com o objetivo de ganhar a confiança das vítimas e furtar ouro no interior das habitações.
De acordo com o Jornal de Notícias, seis homens e cinco mulheres estão acusados de furtos qualificados e de associação criminosa, num esquema que terá decorrido entre janeiro e maio de 2025, abrangendo vários concelhos da Área Metropolitana de Lisboa.
Método repetido em várias casas
Segundo a mesma fonte, o grupo batia à porta de residências onde sabiam viver pessoas idosas, apresentando-se como enfermeiros, trabalhadores de centros de saúde ou de instituições de apoio social. As mulheres surgiam vestidas com bata branca, reforçando a credibilidade da abordagem inicial.
Escreve o jornal que, após entrarem nas casas, os suspeitos iniciavam conversas relacionadas com saúde, medicamentos ou condições de vida, criando um ambiente de confiança que permitia distrair os moradores.
Distração como peça-chave
Enquanto uma das mulheres mantinha a conversa com os idosos, outra pessoa do grupo deslocava-se para outras divisões da casa. Refere a mesma fonte que era nesse momento que o ouro era retirado, sobretudo anéis, fios e outros objetos de valor guardados nos quartos.
Acrescenta a publicação que, em alguns casos, as suspeitas pediam aos moradores para “mostrar os medicamentos” ou para “avaliar as condições da casa”, facilitando o acesso a zonas mais reservadas da habitação.
Valores elevados em poucos minutos
De acordo com a acusação do Ministério Público de Sintra, citada pela mesma fonte, num dos assaltos realizados a 17 de março de 2025, em Algés, no concelho de Oeiras, foram furtados objetos em ouro avaliados em cerca de 15.000 euros. Dias depois, a 22 de março, o grupo voltou a atuar numa casa em Barcarena, onde foram levados bens no valor aproximado de 8.000 euros, seguindo o mesmo padrão de atuação.
O ouro retirado das residências não ficava na posse de todo o grupo. Escreve o jornal que parte dos objetos era vendida a três dos arguidos, dois homens e uma mulher, pelo valor de 60 euros por grama.
Plano dirigido a vítimas específicas
O Ministério Público considera que os suspeitos “delinearam um plano que consistia em ludibriar pessoas que sabiam serem idosas e vulneráveis”, conforme a mesma fonte. O objetivo seria “introduzirem-se nas residências e subtraírem todo o dinheiro e objetos de valor que aí encontrassem”.
Segundo o Jornal de Notícias, a investigação aponta para uma atuação concertada, com divisão de tarefas bem definida e repetição sistemática do esquema em diferentes localidades.
Uma atuação prolongada no tempo
Os assaltos ocorreram em vários concelhos da Grande Lisboa, desde Cascais a Loures. A dispersão geográfica terá permitido ao grupo atuar durante meses sem levantar suspeitas imediatas.
Refere a mesma fonte que o processo segue agora para julgamento, estando os 11 arguidos acusados de crimes de furto qualificado e associação criminosa, num caso que expõe a vulnerabilidade de idosos que vivem sozinhos.
















