A época balnear está cheia de sinais que ajudam a orientar os banhistas e a reduzir riscos junto ao mar. As bandeiras verde, amarela e vermelha são as mais conhecidas, mas há outros avisos que também merecem atenção, sobretudo quando está em causa a presença de organismos marinhos potencialmente perigosos.
Em algumas praias, esse alerta pode surgir associado à chamada bandeira roxa ou a sinalização com o símbolo de uma medusa. A mensagem é simples: podem existir na água ou no areal organismos como medusas, alforrecas ou caravelas-portuguesas, capazes de provocar irritações, queimaduras ou reações alérgicas.
O que significa este alerta?
A bandeira roxa, quando usada, não tem o mesmo significado da bandeira vermelha. Ou seja, não indica necessariamente proibição de entrar na água. O objetivo é chamar a atenção para um risco biológico, permitindo que os banhistas adotem cuidados adicionais antes de se aproximarem do mar.
A Autoridade Marítima Nacional tem alertado, em vários momentos, para os cuidados a ter com águas-vivas, medusas, alforrecas e caravelas-portuguesas nas zonas balneares. Estes organismos gelatinosos podem viver na coluna de água ou à superfície e alguns têm tentáculos capazes de libertar substâncias urticantes.
O contacto pode provocar irritação na pele, queimaduras ou outras reações, sobretudo em pessoas mais sensíveis. Por isso, perante a presença destes organismos, a recomendação principal é evitar tocar nos animais, mesmo quando parecem mortos ou estão arrojados na areia.
Como é detetado o perigo?
O alerta pode resultar da observação direta dos nadadores-salvadores, da vigilância das autoridades marítimas, de comunicações entre praias próximas ou de relatos de banhistas e equipas no terreno. As condições do mar, as correntes e o vento também podem influenciar a chegada destes organismos à costa.
Nos últimos anos, a informação recolhida nas praias tem sido complementada por sistemas digitais de comunicação entre entidades, dados meteorológicos e monitorização costeira. Este cruzamento de informação permite reagir mais depressa quando surgem riscos para os banhistas.
A presença de medusas ou caravelas-portuguesas pode variar bastante de praia para praia e de dia para dia. Em alguns casos, o alerta serve apenas para recomendar prudência. Noutros, quando o risco é maior, as autoridades podem determinar medidas mais restritivas, incluindo a interdição temporária da ida a banhos.
O que fazer em caso de contacto?
Em caso de contacto com águas-vivas, medusas ou alforrecas, a Autoridade Marítima Nacional recomenda que não se esfregue nem coce a zona atingida, para evitar espalhar o veneno. Também não deve ser usada água doce, álcool ou amónia.
A zona afetada deve ser lavada cuidadosamente com água do mar. Se existirem tentáculos presos à pele, devem ser retirados com cuidado, sem contacto direto com as mãos, usando, por exemplo, luvas ou uma pinça. A aplicação de frio pode ajudar a aliviar a dor, desde que o gelo não seja colocado diretamente sobre a pele.
No caso da caravela-portuguesa, a atenção deve ser ainda maior. Os tentáculos podem continuar a causar lesões mesmo depois de o organismo estar fora de água, pelo que os banhistas devem evitar tocar nestes animais no areal.
Tecnologia ajuda a tornar as praias mais seguras
A segurança balnear já não depende apenas da observação humana. A informação recolhida por nadadores-salvadores, autoridades marítimas, serviços meteorológicos e entidades ambientais permite acompanhar melhor a evolução das condições nas praias.
Este trabalho é particularmente importante quando os riscos são localizados e podem surgir de forma rápida, como acontece com enxames de medusas ou com caravelas-portuguesas arrastadas pelas correntes. A tecnologia ajuda a acelerar a circulação de alertas, mas a atenção dos banhistas continua a ser essencial.
A própria Associação Bandeira Azul da Europa, responsável pelo programa Bandeira Azul em Portugal, tem promovido a educação ambiental e a informação aos utentes das zonas balneares. A bandeira azul certifica a qualidade ambiental e os serviços de uma praia, mas os restantes sinais no areal continuam a ser fundamentais para perceber as condições de segurança em cada momento.
Por isso, antes de entrar na água, vale a pena olhar para a sinalização existente e seguir as indicações dos nadadores-salvadores. Um aviso menos comum pode ser suficiente para evitar uma picada, uma queimadura ou uma ida inesperada ao posto de socorros.
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