Durante décadas, o cartão Multibanco foi sinónimo de segurança e praticidade em Portugal. Era o símbolo de um país que entrou cedo na era digital e que aprendeu a confiar nas máquinas espalhadas por todo o território. Mas a forma como pagamos está a mudar. Os telemóveis e os dispositivos inteligentes estão a assumir o papel que antes pertencia ao cartão físico, embora este ainda esteja longe de desaparecer.
Segundo dados da SIBS, mais de metade das operações com cartão em Portugal já são feitas através de tecnologia contactless. O Banco de Portugal confirma que o número de pagamentos sem contacto cresceu de forma consistente nos últimos anos, impulsionado tanto por cartões como por dispositivos móveis. O que está a mudar não é a confiança no sistema, mas o meio que usamos para o aceder.
Telemóvel é o novo cartão
O telemóvel tornou-se o principal rival do cartão Multibanco. Aplicações como o MB WAY permitem fazer pagamentos instantâneos e compras presenciais por aproximação, recorrendo à tecnologia NFC. Além disso, carteiras digitais como a Apple Pay e a Google Wallet já estão amplamente integradas nos bancos portugueses, o que reforça a tendência.
De acordo com a SIBS, o MB WAY ultrapassou os 4 milhões de utilizadores ativos e representa uma fatia crescente dos pagamentos em loja. A grande vantagem está na segurança: o número real do cartão não é partilhado durante a transação, sendo substituído por um código temporário, conhecido como token. Esta medida reduz quase a zero o risco de clonagem ou roubo de dados.
Ainda assim, as mesmas empresas sublinham que o cartão físico continua a ser o método dominante, sobretudo entre consumidores com mais idade ou em zonas onde o acesso digital é limitado.
Pagamentos no pulso
Os pagamentos wearable, através de relógios inteligentes, pulseiras ou até anéis, são uma realidade em expansão, embora ainda com adesão reduzida. A tecnologia é idêntica à dos cartões contactless, permitindo pagar com um simples gesto do pulso.
A SIBS já disponibiliza o MB WAY Pulse, uma pulseira que funciona como extensão do cartão. O objetivo é facilitar o pagamento sem necessidade de tirar o telemóvel do bolso. Apesar de ser uma solução ainda de nicho, os dados da consultora Juniper Research indicam que o mercado global de pagamentos wearable deverá crescer de forma expressiva até 2030, impulsionado pelos utilizadores mais jovens.
QR Code que simplifica
Outra tendência em crescimento é o uso de códigos QR para pagar. Em Portugal, o MB WAY permite a comerciantes gerar QR Codes diretamente no telemóvel, o que evita custos fixos com terminais de pagamento. Segundo a SIBS, esta solução tem sido particularmente útil para pequenos negócios e vendedores ambulantes, que assim conseguem aceitar pagamentos digitais sem recorrer a um TPA tradicional.
Apesar disso, o TPA está longe de desaparecer: de acordo com a Associação Portuguesa de Bancos, cerca de 93% dos terminais já permitem contactless, o que mostra uma adaptação do sistema, e não a sua substituição.
O futuro é híbrido
Tudo indica que o cartão Multibanco continuará a existir, mas com um papel cada vez mais secundário. A sua principal função será servir como reserva em situações onde o pagamento digital falha, como levantamentos de dinheiro ou viagens ao estrangeiro.
O futuro dos pagamentos em Portugal será, ao que tudo aponta, híbrido: coexistência entre cartões físicos, telemóveis, wearables e QR Codes. A revolução digital está em curso, mas o plástico ainda não disse o último adeus.
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