Nos últimos meses, Cabo Verde passou a estar associado a vários casos de doença grave e à morte de turistas estrangeiros que adoeceram durante férias no arquipélago. As situações envolveram infeções gastrointestinais contraídas em contexto turístico e levantaram preocupações sobre segurança sanitária num destino popular entre europeus, incluindo portugueses.
O país africano tem registado um crescimento consistente do turismo, em particular nas ilhas do Sal e da Boa Vista, promovidas como alternativas mais acessíveis a destinos tropicais tradicionais. O aumento de ligações aéreas diretas a partir da Europa reforçou essa tendência, com várias companhias a apostarem no arquipélago nos últimos anos.
Mortes sob investigação após estadias em resorts
De acordo com o jornal The Times, quatro turistas britânicos morreram num espaço de três meses depois de adoecerem em Cabo Verde. As vítimas tinham entre 54 e 64 anos e todas apresentavam problemas de saúde pré-existentes considerados controláveis.
Segundo a mesma fonte, os quatro estavam hospedados em hotéis da cadeia espanhola Riu quando começaram a manifestar sintomas, como diarreia, vómitos e dores intensas, tendo recorrido posteriormente a unidades de saúde locais.
Caso que levantou dúvidas clínicas
Um dos episódios analisados envolveu Elena Walsh, cidadã britânica de 64 anos, que adoeceu poucos dias após chegar à ilha do Sal, onde celebrava o noivado do filho. Escreve o jornal que foi inicialmente encaminhada para uma clínica privada recomendada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido.
Conforme a mesma fonte, acabou transferida para um hospital público, onde os médicos diagnosticaram uma apendicite e iniciaram uma cirurgia. A turista morreu poucas horas depois e uma autópsia realizada já no Reino Unido concluiu que a causa principal da morte foi insuficiência cardíaca, tendo a gastroenterite sido identificada como causa secundária.
Padrões repetidos noutros turistas
Outro dos turistas era um advogado com diabetes, alojado no Riu Karamboa. Cerca de 10 dias após a chegada, começou a sentir náuseas e diarreia, tendo sido internado com diagnóstico de gastroenterite.
Refere a mesma fonte que estava prevista a sua transferência para Tenerife para tratamento especializado, mas o homem acabou por morrer ainda em Cabo Verde. Os registos médicos indicaram insuficiência cardíaca, choque cardiogénico e gastroenterite.
Surtos detetados à escala europeia
Paralelamente aos casos fatais, vários países europeus registaram um aumento de infeções por shigelose em pessoas que regressaram recentemente de Cabo Verde. De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, os países mais afetados foram os Países Baixos, Suécia, Irlanda e França.
A shigelose é transmitida por água ou alimentos contaminados e pode também propagar-se por contacto direto. Explica a mesma fonte que, embora muitas pessoas recuperem sem necessidade de tratamento, os riscos aumentam significativamente em indivíduos com doenças pré-existentes.
Condições sanitárias e respostas oficiais
Um jornalista do The Sunday Times esteve hospedado no Riu Karamboa em dezembro e descreveu problemas de higiene em zonas de restauração ao ar livre, com insetos junto a alimentos e bebidas. O período coincidiu com um surto que deixou dezenas de turistas gravemente doentes, segundo o jornal.
Após novos alertas no final de 2025, o site TravelHealthPro publicou recomendações baseadas em informação do Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido, aconselhando cuidados redobrados com higiene, alimentação e consumo de água. Apesar dos casos, a operadora turística TUI afirmou ao The Times que continua a seguir as orientações oficiais e que a segurança dos clientes permanece como prioridade.
















