Em 1975 os portugueses foram pela primeira vez chamados às urnas de forma livre e democrática. O objetivo, eleger os 250 deputados que iriam redigir o corpo da nova Constituição e traçar o rumo a seguir pelo País em termos de políticos, económicos e sociais. Durante os trabalhos da Constituinte, as diferentes conceções e visões ideológicas aí representadas procuraram imprimir a sua matriz no texto fundamental.
Quis o destino que no ano em que se assinalam os 50 anos dessas primeiras eleições em democracia, Portugal fosse novamente a eleições, mas os tempos são diferentes e os eleitores também. A migração de votos verificada nas últimas três eleições legislativas transformou, em pouco mais de dois anos, uma maioria absoluta do PS num parlamento onde a esquerda toda somada não ultrapassa um terço dos mandatos.
Podemos dizer que este país não é para ideologias? Bem, os partidos de esquerda e de direita continuam a apresentar visões distintas para cada um dos problemas com os quais a sociedade se depara. Saúde e educação são exemplos claros e paradigmáticos. As bandeiras continuam lá. O que apareceu de novo foi a forma quase direta e automática como o chamado voto de protesto, sinal de forte desilusão com o desempenho do(s) Governo(s), muda de mãos e engrossa a direita populista.
As eleições de 18 de maio consolidaram resultados que há pouco tempo seriam impensáveis, principalmente no sul do País, mas a matriz sociológica de um país não muda em três anos. Existe um grande descontentamento – legítimo – em vários sectores da sociedade, que é aproveitado para fomentar a polarização, a necessidade de ser contra algo (o sistema, a esquerda, ou o outro). Mesmo que erradas, as perceções são reconfirmadas uma vez e outra, e validam as escolhas feitas. O que antes não era admitido – o voto na direita populista – agora é anunciado de forma muito aberta.
Quer isto dizer que o conceito de ideologia está a deixar de fazer sentido para o panorama político atual? Nada mais errado. A prova disso? A rapidez com que IL e Chega vieram defender a oportunidade histórica de efetuar uma revisão constitucional que, pela primeira vez, pode prescindir dos votos da esquerda.
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