O peixe Choupa é vulgarmente conhecido como sargo ou pargo-choupa. Trata-se de um predador que ajuda a controlar populações de invertebrados e atua como bioindicador da saúde dos ecossistemas marinhos. Enfrenta ameaças como a pesca excessiva, a degradação dos habitats costeiros e as mudanças climáticas. No sentido de sensibilizar a comunidade estudantil para estas problemáticas, em particular para a poluição das zonas marinhas, os alunos realizaram um projeto que incluiu a recolha de 400 litros de lixo da Praia de Faro, matéria-prima (re)utilizada na criação de uma peça artística, representativa da Choupa, que, conjuntamente, com esculturas de outras espécies, executadas por outras escolas, recriaram pradarias marinhas diversificadas, expostas à população em geral, em rotundas rodoviárias da região algarvia.
INTRODUÇÃO
A choupa (Spondyliosoma cantharus), também conhecida como sargo ou pargo-choupa (Figura 1), é um peixe da família Sparidae, amplamente distribuído nas águas costeiras do Atlântico, desde o sul da Noruega e das Ilhas Britânicas até ao Senegal, incluindo o Mar Mediterrâneo. Este peixe é facilmente reconhecível pelo seu corpo oval e comprimido lateralmente, apresentando uma coloração prateada com reflexos azulados e uma mancha escura na base da barbatana peitoral.

- Habitat
Esta espécie habita principalmente zonas costeiras, preferindo fundos rochosos, recifes e áreas de ervas marinhas, onde encontra refúgio e alimento. É comum em profundidades que variam entre os 10 e os 50 metros, embora possa ser encontrado em águas mais rasas ou profundas. Durante o período reprodutivo, que ocorre na primavera e no verão, a choupa migra para áreas mais rasas, formando grandes agregações.
- Importância Ecológica
A choupa desempenha um papel crucial nos ecossistemas marinhos. Como predador, ajuda a controlar a população de invertebrados bentónicos, como crustáceos e moluscos, contribuindo para o equilíbrio da cadeia alimentar. Além disso, a choupa é uma espécie bioindicadora, cuja presença e abundância podem refletir a saúde dos habitats costeiros.
- Ameaças
Apesar de ser uma espécie relativamente comum, a choupa enfrenta diversas ameaças que podem comprometer a sua população. A pesca excessiva é uma das principais preocupações, uma vez que este peixe é alvo tanto da pesca comercial quanto da pesca desportiva. A captura de exemplares juvenis, antes de atingirem a maturidade sexual, prejudica a capacidade de reposição das populações.
Outro fator de risco significativo é a degradação dos habitats costeiros, causada pela poluição, urbanização e destruição de áreas de ervas marinhas e recifes. As alterações climáticas também representam uma ameaça, afetando a distribuição e a disponibilidade de alimentos para a choupa, além de provocarem mudanças na temperatura e acidez da água.
- Estado de Conservação
Atualmente, a choupa não está listada como uma espécie ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), tendo sido o seu estado de conservação, em 2009, considerado como “Pouco Preocupante” devido à sua ampla distribuição e à resiliência relativa das suas populações. No entanto, a falta de dados precisos e recentes sobre a sua abundância e tendências populacionais em algumas regiões sublinha a necessidade de monitorização contínua.
A choupa é valorizada não só pela sua importância ecológica, mas também pelo seu valor comercial e gastronómico. É um peixe apreciado pela sua carne branca e sabor delicado, sendo uma escolha frequente em diversas receitas mediterrânicas. A pesca recreativa da choupa também contribui para as economias locais, especialmente em áreas turísticas.
Para garantir a preservação desta espécie e dos ecossistemas que ela habita, é essencial implementar medidas de gestão eficazes, como a regulamentação da pesca, a proteção dos habitats costeiros e a promoção da conscientização ambiental. A colaboração entre cientistas, pescadores, gestores e a sociedade civil é fundamental para assegurar a sustentabilidade da choupa e a saúde dos ambientes marinhos onde vive.
METODOLOGIA
O projeto incluiu várias etapas interdisciplinares. Algumas das etapas foram desenvolvidas por turmas diferentes e pelo Clube de Artes “VivArte” em regime de parceria.
- Etapas:
- Recolha de resíduos na Praia de Faro (Canal da Ria Formosa);
- Separação e seleção dos resíduos recolhidos, tendo por base as suas características e adequação a uso artístico (Figura 2a);
- Workshop técnico, ministrado pela artista Joana Rocha, explorando conceitos e técnicas criativas;
- Estudo da espécie de peixe Choupa, e elaboração do respetivo plano de construção das peças;
- Construção de 15 peças representativas de peixes Choupa e algas marinhas reutilizando os resíduos recolhidos (Figura 2).
- Gestão dos resíduos excedentes: Itens não utilizados foram encaminhados para reciclagem.
a) b)


Figura 2. Separação e seleção dos resíduos a utilizar (a) na construção das peças (b). Fotos DR
RESULTADOS E CONCLUSÕES
Os alunos criaram esculturas representativas da choupa, destacando a importância da separação seletiva dos resíduos e reciclagem, e da preservação ambiental.
No âmbito deste trabalho foram recolhidos 400 L de lixo, estando os itens recolhidos detalhados nas Figuras 3 e 4. Para efeitos de inventariação o lixo foi dividido em duas categorias gerais “Itens Comuns” e “Material de Pesca”. Na categoria dos “Itens Comuns” (Figura 3), os recolhidos em maior número foram os itens de plástico, pela seguinte ordem, pedaços de plástico com tamanho inferior a 2,5 cm (34%), sacos de plástico (23%) e garrafas de plástico (12%). Na categoria “Material de Pesca” (Figura 4), os itens encontrados em maior número foram mini-bóias (74%), seguidos por redes de pesca (18%). É ainda de salientar que dentro desta categoria foram ainda recolhidos aproximadamente 65 metros de cordas, cabos e linhas de pesca.


A exposição pública das peças produzidas (Figura 5) teve o intuito de gerar consciencialização sobre a quantidade de lixo marinho produzido e descartado erradamente, os impactos do lixo marinho e o papel da arte na comunicação dos problemas ambientais.
A iniciativa integrou alunos, professores e comunidade, promovendo a educação ambiental de forma criativa e impactante. Com esta atividade, tentou-se sensibilizar o maior número possível de alunos, encarregados de educação, pessoal docente e não docente para a importância da problemática, bem como para a colaboração na concretização das várias fases do projeto.


Figura 5. Peças construídas.
GLOSSÁRIO:
Bioindicador: Organismo cuja presença, ausência ou estado de saúde reflete a qualidade ambiental de um habitat, indicando níveis de poluição ou alterações no ecossistema.
Pradarias Marinhas: Ecossistemas subaquáticos formados por plantas marinhas (não algas), que servem como habitat para diversas espécies e ajudam a capturar carbono.
Sparidae: Família de peixes que inclui espécies como a choupa, conhecida por sua importância ecológica e económica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
https://pesca-embarcada.com/wp/2020/02/06/choupa-spondyliosoma-cantharus/
Black seabream (Spondyliosoma cantharus) | adriaticnature
AUTORIA
A Introdução artigo foi elaborada pelas alunas Ana Carolina Palma, Carolina Cavaco e Sara Costa, do 9ºC (Ano Letivo 2023/2024).
Estiveram ainda envolvidos no projeto alunos do 2º e 3º ciclos (alguns deles participaram através do Clube de Artes “VivArte”), orientados pelos professores Ana Neves, Carlos Gordinho, Helena Gomes, Conceição Seabra, Alexandra Inácio, Carla Coles e Maria João Baptista.
REVISÃO DO ARTIGO
Vânia Serrão Sousa – Investigadora no Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade (CENSE) e Docente na Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade do Algarve.
BILHETE DE IDENTIDADE
- Nome Comum: Choupa, Sargo, Pargo-choupa
- Nome Científico: Spondyliosoma cantharus
- Relevância para a Região: Espécie comum nas águas costeiras do Algarve, contribuindo para o equilíbrio ecológico e a economia local.
- Habitat: Zonas costeiras com recifes e pradarias marinhas (10 a 50 metros de profundidade).
- Alimentação: Invertebrados bentónicos, como crustáceos e moluscos.
- Estado de Conservação: Pouco Preocupante (IUCN), mas enfrenta ameaças como pesca excessiva e degradação de habitats.
- Autores: Alunos do 2º e 3º ciclos da Escola Básica 2,3 Dr. Joaquim Magalhães (Agrupamento de Escolas Tomás Cabreira) – Faro.
Leia também: LIXARTE: Porque não devemos apanhar conchas na praia | Por Rafaela Cardoso
O projeto LIXARTE – transformar lixo em arte – pretende afirmar-se como “um projeto de ARTivismo e de ciência cidadã e sensibilizar, através da expressão artística, para a urgência de proteger os Oceanos. O projeto pretende alertar para a importância do mar para a vida humana e para o nosso futuro. Eles fornecem oxigênio, alimentos e meios de subsistência, além de abrigar uma biodiversidade incrível, no entanto, a sua saúde está ameaçada. A edição 2024-2025 Lixarte_Rotundas contou com a coordenação artística da olhanense Joana Bandeira Rocha” e consultadoria científica da Vânia Serrão de Sousa, professora da UAlg.
O Lixarte_Rotundas teve como parceiros alunos de escolas de sete concelhos algarvios, autores desta série de mini-artigos científicos que agora se publica: Secundária Albufeira e EB 2,3 da Guia (Albufeira); Secundária Tomás Cabreira, EB 2,3 Joaquim Magalhães, EB 2,3 Afonso III, Secundária Pinheiro e Rosa e EB 2,3 Neves Júnior Faro); Secundária Laura Ayres e EB 2,3 D. Dinis (Quarteira); Secundária Francisco Fernandes Lopes, EB 2,3 Alberto Iria, EB1 Alberto Iria e EB 2,3 João da Rosa (Olhão); EB 2,3 Rio Arade, Parchal (Lagoa); EBS Bemposta (Portimão); EB2,3 D. José I e EB 2,3 Monte Gordo (Vila Real de Santo António). Contou ainda com o apoio de Europe Direct Algarve, Sciaena, Projeto GEA, Projeto SOS Planeta, APA-ARH Algarve – Voluntariado Ambiental para a Água, CCVAlgarve, Greve Climática Algarve, Universidade do Algarve, Universidade de Lisboa – F Belas Artes (mentoria), Projeto Confi-Arte – UNLisboa, ASMAL, CM São Brás de Alportel – Quinta do Peral, Docapesca, CCDR Algarve, Inframoura e inúmeros voluntários: estudantes da Universidade do Algarve, fotógrafos, curadores e jovens ativistas.
Os interessados em mais informações devem contactar o Europe Direct Algarve, uma estrutura de informação europeia alojada na Comissão de Coordenação e desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, I.P., no âmbito de protocolo celebrado com as representações da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu em Portugal.

O Europe Direct Algarve faz parte da Rede de Centros Europe Direct da Comissão Europeia. No Algarve está hospedado na CCDR Algarve – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.
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