Porque ninguém deve viver indiferente à realidade da Sociedade, do que se passa à sua volta e como somos afetados e impulsionados a dar o nosso contributo.
Sejamos cidadãos livres, numa sociedade democrática, de preferência com uma recomendável saúde mental e qualidade de vida.
Nos últimos anos, meses, semanas e dias temos assistido a um fenómeno global que deveria preocupar-nos profundamente: o esvaziamento da democracia e o agravamento dos problemas de saúde mental.
À primeira vista, parecem fenómenos distintos, um ligado à política e às instituições, o outro ao bem-estar individual, que, naturalmente, se manifesta no coletivo.
Mas estarão assim tão separados?
Se olharmos, com atenção, veremos que há uma analogia clara entre a saúde das nossas democracias e a saúde das nossas mentes: ambas vivem sob pressão, ambas estão sobrecarregadas, ambas dão sinais de exaustão.
A democracia ansiosa
A democracia vive um momento de desconfiança, desgaste e pouco crente nas pessoas e nas instituições, que as compõem e representam o poder democrático. Os princípios, os valores e a conduta ética ganharam o papel de personagem secundária num filme de terror, que ganha, diariamente, honras de horário nobre nas televisões e reações de todo o tipo e feitio nas redes sociais.
A abstenção continua a registar números preocupantes de desinteresse, alguns temas de discursos extremistas ganham força e o espaço para o debate construtivo encolhe, cria desvaneio, precipita e reflete a imaturidade do nosso sistema democrático.
Esta apatia democrática pode gerar sintomas, ainda mais profundos, na Sociedade, como uma sensação de impotência coletiva, como se o sistema estivesse demasiado distante ou indiferente às reais necessidades da população, imbuída em discursos embelezados pelo calendário eleitoral, ou deturpada pelas promessas vãs em detrimento da obra feita com planeamento, transparência e competência. Quando as pessoas deixam de acreditar nas suas instituições, retraem-se, o mesmo acontece com a mente humana quando se sente ignorada ou desvalorizada.
A sociedade em burnout
Vivemos tempos acelerados, digitalizados e saturados de informação. A ansiedade, a depressão e a sensação de esgotamento tornaram-se parte do vocabulário diário. Portugal tem o pior resultado da OCDE em Saúde Mental. Este é, hoje, um dos maiores desafios sociais e, paradoxalmente, um dos menos reconhecidos e tratados com a seriedade que merece (Fonte: Portugal tem o pior resultado da OCDE em Saúde Mental).
Num exercício de analogia direta entre uma “Democracia em Crise” e uma “Saúde Mental em Crise” são considerados os seguintes aspetos: Abstenção = Afastamento Social ; Populismo = Reações Impulsivas ; Falta de confiança = Baixa Autoestima ; Silenciamento = Isolamento Social ; Desinformação = Confusão Interna.
Esta analogia revela-nos que a fragilidade de uma democracia tem sintomas semelhantes aos de uma mente sobrecarregada. Ambas precisam de espaço para escuta, tempo para reflexão e confiança para se reconstruir, mesmo quando de uma ou de outra maneira lhes tentam mandar abaixo.
Uma democracia saudável começa numa mente saudável
Não podemos falar de democracia plena enquanto milhares de pessoas vivem esmagadas por problemas mentais e emocionais sem apoio adequado. E não podemos falar de saúde mental coletiva sem abordar as condições sociais, económicas e políticas que as afetam.
Afinal, o que é uma democracia senão a expressão da saúde coletiva de uma sociedade?
Cuidados estruturais: uma sociedade não pode pedir estabilidade emocional aos seus cidadãos se não garantir acesso justo à saúde, educação, habitação e apoio psicológico.
Participação ativa: Tal como é essencial falar sobre os nossos sentimentos, também o é participar na vida cívica.
Empatia e escuta: Tanto na política como nas relações humanas, é urgente resgatar a escuta ativa como ferramenta de transformação.
Representatividade real: a democracia, como a mente, precisa de sentir que a sua diversidade é reconhecida e respeitada, para tal dá-se ao respeito.
Está na hora de cuidarmos de ambas, da democaracia e da saúde mental, como se de flores se tratassem, têm que se firmar em boa terra, serem regadas, adubadas e acarinhadas, para crescerem e prosperarem de forma saudável.
Sobre o autor do artigo: Ivo Miguel Inácio Carvalho, natural de Alvor – Portimão é casado e pai de dois filhos, 17 e 21 anos de idade. Mestre em Design para a Economia CIrcular com dissertação sobre “As cidades circulares como estratégia territorial de sustentabilidade na região do Algarve”. Especializou-se em Sustentabilidade e ESG e é um entusiasta na relação destes temas com o territórios e as pessoas. Trabalhou 10 no setor social e foi autarca durante 19 anos. Atualmente é formador e fundador da Bluegarve – Consultoria em Sustentabilidade.

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