Os tradicionais packs de seis garrafas de água, refrigerantes e outras bebidas poderão começar a desaparecer dos supermercados da União Europeia. Uma nova regra proíbe determinados agrupamentos de plástico descartável a partir de 1 de janeiro de 2030, embora não obrigue todas as bebidas a serem vendidas exclusivamente à unidade.
A alteração está prevista no Regulamento Europeu relativo às embalagens e aos resíduos de embalagens, que entrou em vigor em fevereiro de 2025 e começará a ser aplicado de forma geral a partir de agosto de 2026.
O objetivo de Bruxelas passa por reduzir a quantidade de embalagens desnecessárias colocadas no mercado e promover soluções reutilizáveis, recicláveis ou com menor impacto ambiental. Por se tratar de um regulamento, será diretamente aplicável em todos os Estados-membros.
Que packs de garrafas serão proibidos?
A partir de 1 de janeiro de 2030, os operadores económicos deixarão de poder colocar no mercado determinados tipos de embalagens coletivas de plástico de utilização única.
Em causa estão películas retráteis, anilhas e outros materiais usados nos pontos de venda para agrupar garrafas, latas, frascos, embalagens e outros produtos.
A restrição incide particularmente sobre os agrupamentos criados para incentivar o consumidor a comprar várias unidades. O regulamento admite, porém, exceções quando a embalagem for necessária para facilitar o manuseamento ou o transporte dos produtos.
Garrafas não terão de ser vendidas apenas à unidade
Apesar do impacto esperado nos conhecidos packs de seis, as novas regras não significam que todas as garrafas passem obrigatoriamente a ser comercializadas individualmente.
Os fabricantes poderão recorrer a alternativas que utilizem outros materiais, a soluções reutilizáveis ou a formatos considerados necessários para garantir o transporte e o manuseamento das bebidas.
Assim, o que Bruxelas pretende eliminar é sobretudo o plástico descartável considerado desnecessário, e não impedir os consumidores de comprarem várias garrafas de uma só vez.
Embalagens terão de usar menos material
O regulamento determina igualmente que, até 2030, as embalagens sejam concebidas de forma a reduzir o peso e o volume ao mínimo necessário para garantir a sua funcionalidade.
Os fabricantes terão de evitar elementos que aumentem artificialmente o tamanho dos produtos, como fundos falsos, paredes duplas e camadas dispensáveis de cartão ou plástico.
A União Europeia pretende ainda que todas as embalagens colocadas no mercado sejam recicláveis até ao final da década, reduzindo o consumo de matérias-primas virgens e a produção de resíduos.
Indústria alerta para dificuldades
As medidas têm provocado preocupação em alguns setores, nomeadamente entre produtores de água mineral e outras bebidas.
A indústria argumenta que os packs facilitam o transporte de várias garrafas pelos consumidores e protegem os produtos durante a distribuição e a colocação nas prateleiras.
As empresas terão, por isso, de adaptar as linhas de produção e encontrar formas alternativas de manter as embalagens agrupadas sem recorrer aos formatos de plástico descartável abrangidos pela proibição.
Recolha de garrafas deverá atingir 90%
As novas regras europeias estabelecem também metas mais exigentes para a recolha de embalagens de bebidas.
Até 2029, os Estados-membros deverão assegurar a recolha seletiva de, pelo menos, 90% das garrafas de plástico e das embalagens metálicas de bebidas de utilização única abrangidas pelo regulamento.
Para alcançar essa meta, os países deverão recorrer a sistemas de depósito e reembolso, nos quais o consumidor paga um valor adicional no momento da compra e o recupera quando entrega a embalagem vazia.
As mudanças deverão alterar gradualmente a forma como muitas bebidas são apresentadas nos supermercados, mas os consumidores continuarão a poder comprar várias unidades. A principal diferença estará no tipo de material utilizado para as manter agrupadas.
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