A transformação económica e social de Portugal nas últimas quatro décadas e o impacto dos fundos europeus no desenvolvimento do Algarve estiveram em debate na conferência “40 Anos de Portugal Europeu”, realizada no dia 8 de julho, na CCDR Algarve, em Faro.
A iniciativa foi promovida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve e pelo Europe Direct Algarve, no âmbito das comemorações dos 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia.
Integração europeia vista como escolha estratégica
A conferência teve como orador Carlos Coelho, comissário para as Comemorações dos 40 Anos da Adesão de Portugal à CEE e antigo deputado ao Parlamento Europeu, que desafiou os participantes a refletirem sobre o que seria hoje o país sem a integração europeia.

Recordando o papel desempenhado por Mário Soares, Francisco Sá Carneiro e Diogo Freitas do Amaral no processo de adesão, Carlos Coelho considerou que a entrada de Portugal na CEE representou uma escolha estratégica, decisiva para consolidar a democracia e acelerar a modernização do país.
Apesar de reconhecer que “nem tudo correu bem”, o antigo eurodeputado defendeu que o balanço das últimas quatro décadas é claramente positivo, apontando o investimento em infraestruturas, educação e capital humano como exemplos centrais desse percurso.
Entre os indicadores apresentados, Carlos Coelho destacou o crescimento da rede nacional de autoestradas, de cerca de 100 para mais de 3000 quilómetros, o aumento do número de estudantes no ensino superior, de cerca de 100 mil para mais de 450 mil, e a subida da esperança média de vida em mais 10 anos, resultados que associou ao investimento realizado ao longo dos últimos 40 anos.
Na abertura da sessão, o presidente da CCDR Algarve, José Apolinário, sublinhou que a política de coesão continua a ser um dos pilares do projeto europeu, destacando o seu contributo para reduzir assimetrias territoriais e melhorar a qualidade de vida das populações.

José Apolinário referiu ainda os dados do mais recente Eurobarómetro, que colocam Portugal entre os Estados-Membros onde o apoio dos cidadãos ao projeto europeu permanece mais elevado.
Também Cristiano Cabrita, vice-presidente da CCDR Algarve para o desenvolvimento regional, realçou o papel do Europe Direct na aproximação da União Europeia aos cidadãos, defendendo a promoção dos valores democráticos e o combate às desigualdades territoriais.
Fundos europeus transformaram prioridades regionais
A conferência contou ainda com intervenções de David Assoreira, primeiro presidente da então Comissão de Coordenação da Região do Algarve, e de Adriano Pimpão, presidente do Conselho Regional da CCDR Algarve, antigo reitor da Universidade do Algarve e ex-secretário de Estado do Desenvolvimento Regional.
David Assoreira recordou os primeiros anos da instituição e o impacto dos financiamentos comunitários na resposta às principais carências estruturais da região, destacando o saneamento básico como uma das prioridades que permitiram transformar significativamente o Algarve.

Por seu lado, Adriano Pimpão sublinhou que os 40 anos de integração europeia representam um período de profunda modernização para o país e para a região, defendendo que a capacidade de cooperação entre os municípios algarvios foi determinante para uma aplicação estratégica dos fundos europeus.
As intervenções foram seguidas de um debate, moderado por Pedro Duarte, centrado na evolução do projeto europeu, nos desafios da política de coesão e nas prioridades para o próximo ciclo de desenvolvimento regional.

No final da sessão, os participantes visitaram a exposição oficial comemorativa dos 40 anos da adesão de Portugal à CEE, “Portugal e a Europa: 40 Anos de Progresso Partilhado”, patente no MAR Shopping Algarve.
A mostra reúne 12 painéis dedicados aos principais momentos da integração europeia de Portugal e ao impacto desse percurso no desenvolvimento do país, permanecendo aberta ao público até ao final de julho.
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