A Ciência Viva no Verão assinala 30 anos e apresenta esta sexta-feira a edição de 2026, marcada pelo eclipse solar de 12 de agosto, fenómeno que estará no centro de mais de 180 das 789 atividades previstas.
Promovida pela Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica –, a 30.ª edição decorre entre 15 de julho e 15 de setembro. Algumas das iniciativas dedicadas ao eclipse já se realizaram, enquanto outras estão agendadas para depois de 12 de agosto, incluindo sessões em planetários, observações astronómicas e ‘workshops’.
No dia do eclipse, que é total quando a Terra, a Lua e o Sol ficam perfeitamente alinhados e a Lua oculta por alguns momentos todo o disco solar, estão previstas ações de observação em vários pontos do país, entre os quais Lagos, Tavira, Estremoz, Lisboa, Constância, Vila do Conde e Vila do Porto, nos Açores.
Na região de Bragança, a única zona de Portugal onde o eclipse será total, o Centro Ciência Viva de Bragança promove, entre 10 e 12 de agosto, o Festival Geração Ciência, em colaboração com a Câmara Municipal, com um programa composto por várias iniciativas.
Eclipse será total durante 26 segundos em Bragança
Numa pequena zona no Parque Natural de Montesinho, no Nordeste Transmontano, no dia 12, “durante cerca de 26 segundos, o dia transforma-se em noite”, mas o fenómeno astronómico inicia-se às 18:33 e termina às 20:23, com o seu máximo previsto por volta das 19:30, refere a agência de divulgação científica.
No resto do país o eclipse será parcial, sendo o obscurecimento de 98,2% no Porto, de 94,5% em Lisboa, de 92,7% em Faro, ficando abaixo dos 80% no Funchal (77,5%) e em Ponta Delgada (76,9%), segundo cálculos do astrónomo Rui Jorge Agostinho.
Este eclipse solar será visível numa estreita faixa que atravessa o Ártico, Gronelândia, Islândia, Portugal e Espanha, mas neste país a escuridão total ocorrerá numa zona bastante maior.
A Ciência Viva assinala que “o último eclipse total do Sol observado em Portugal aconteceu em 1912 e o próximo será em 2144, tornando o Eclipse de 2026 num momento imperdível para várias gerações”.
Faróis regressam ao programa Ciência Viva no Verão
Outra das novidades desta edição do programa é “o retomar da colaboração com a Marinha Portuguesa para dar a conhecer os faróis” da costa do país, “uma das iniciativas com maior adesão do público”.
Aliás, a apresentação da edição de 2026 vai decorrer no Farol do Cabo da Roca e inclui uma visita à torre do farol, guiada pelo faroleiro João Palma, da Marinha Portuguesa, bem como uma sessão informativa com a participação do coordenador do programa nacional do Eclipse do Sol 2026, Pedro Mota Machado, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Para aproximar a ciência dos cidadãos e permitir que “mentes curiosas” passassem “parte das suas férias de verão rodeadas de Ciência e de Natureza”, nasceu em 1996 a Ciência Viva no Verão, que “começou nas praias e cedo se estendeu a outros domínios”.
Programa soma 475 mil participantes em três décadas
Esta edição permite, por exemplo, explorar as margens de um rio, descobrir a cromolitografia, uma das primeiras técnicas de impressão de imagens a cores, conhecer a cabra de raça algarvia, visitar um herbário e a única uma mina de sal-gema de Portugal.
As centenas de atividades realizadas todos os anos são “guiadas por investigadores e especialistas de instituições e associações científicas, museus, autarquias e empresas, num ambiente informal e descontraído”.
Nestes 30 anos, a iniciativa contou com 475 mil participantes, disse à agência Lusa Marta Ribeiro da Silva, responsável da comunicação da Ciência Viva.
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