É importante para os jovens, tanto portugueses como qualquer outro europeu, que nasceram, cresceram e apenas viveram na Europa construída sob os 3 pilares do Tratado de Maastricht, a Zona Schumann, o Tratado de Lisboa, e tantos outros, que não acreditem que chegámos ao ápice do desenvolvimento social, e que “não há nada mais para evoluir”.
Aos estudarmos a evolução histórica da sociedade, do Estado, dos governos, dos movimentos políticos, dos regimes e dos Direitos Humanos no Ensino Básico, Secundário e Universitário, é esperado que o jovem sinta, pelo menos, um alívio ao perceber o quanto evoluímos estruturalmente e socialmente, e quantos direitos, benefícios e melhorias da qualidade de vida foram conquistados desde à 200 anos até hoje. Este sentimento pode vir acompanhado de um sentimento de gratidão, mas é importante que este não venha sozinho. É essencial que a história da Europa, no que toca à melhoria da condições de vida do povo e dos seus direitos fundamentais continue a ser contada, e continue a ser escrita, pois é ao pensarmos que chegámos ao “fim da história” que permitimos retrocessos naquilo que já há muito tempo parecia estabelecido.
A União Europeia (UE) surge de um dos cenários mais terríveis presenciados pela humanidade. O sentimento de companheirismo, respeito, sobrevivência e progresso foram o que levaram esta instituição a ser criada, pilares estes que se desenvolveriam, criando ramificações complexas. Um destes ramos seria a preocupação europeia pelo bem-estar social, a prosperidade dos seus povos e sociedades, e o desenvolvimento estrutural. É na segunda metade do século XX que presenciamos algumas das maiores evoluções nos Direitos Humanos e condições de trabalho na Europa, seja por iniciativas internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, seja por iniciativas europeias, como a Convenção Europeia dos Direitos Humanos (CEDH) e a Carta Social Europeia. Dentro da UE é impossível não realçar a influência do Mercado Único Europeu na vida das suas populações, e como isso mudou a forma de se viver no Velho Continente. Não tendo todas estas sido iniciativas da UE, é inegável o seu papel na Europa pós-II Guerra Mundial como motor de desenvolvimento social no Ocidente.
É essencial ter dedicado o parágrafo anterior para refletir sobre o papel da UE na evolução dos direitos sociais na Europa para puder agora apontar para a seguinte questão: talvez seja por a UE ter feito um tão bom trabalho no século passado, promovendo igualdade de remuneração independentemente do género, diretivas contra descriminação, direitos obrigatórios a trabalhadores e livre locomoção dentro do continente, que hoje os jovens parecem pouco se preocupar com a necessidade de continuar a desenvolver e preservar todos estes direitos até hoje conquistados, tomando-os como garantidos, esquecendo todos aqueles que ainda faltam conquistar.
O desinteresse que se nota nas gerações mais jovens pela participação política, refletida, por exemplo, nas taxas de abstenção jovem, demonstram uma visão conformistas, e até ignorante, em relação ao estado de Portugal e da Europa neste momento. Sendo a geração com maiores níveis de qualificação da história, esta não teria desculpa para não estudar a história do seu país, perceber as dinâmicas internacionais, e procurar entender as causas e consequências do panorama que se vivência hoje em Portugal. Com isto, naturalmente, não digo que tenha que existir uma opinião universal, que todos tenham de concordar, ou que devamos promover uma única visão das coisas, pelo contrário, eu apelo para que toda a clássica, e ultrapassada, linha ideológica de Esquerda e Direita promova os jovens a estudar, a perceber, a desenvolver um senso crítico, pois só assim pudemos assegurar um futuro onde a racionalidade domine, e não as promessas vazias baseadas em emoções temporárias.
Só através do desenvolvimento do nosso conhecimento, do nosso espírito crítico e da nossa racionalidade, mas também da nossa empatia, compreensão e respeito pela vida humana, nós, jovens, pudemos sair da bolha ilusória de que “todos os direitos que haviam para ser conquistados já o foram”. É preciso apelar para que a história continue a ser feita, e que continue a ser escrita, por um amanhã cheio de novas conquistas e progressos, porque ainda há uma longa história a ser contada pelas gerações futuras.
Sobre o autor do artigo: Sebastião Lima é licenciado em Estudos Europeus pela Universidade de Coimbra, entusiasta das Relações Internacionais e da Política Externa, e está agora a dar os primeiros passos através da participação cívica e do envolvimento em projetos que procuram impactar e estimular a mudança e o progresso.

“40 Visões da Europa”
A 12 de junho de 1985, Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Adesão às então Comunidades Europeias (Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia da Energia Atómica e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Este foi o terceiro alargamento.
O Europe Direct Algarve, a CCDR Algarve, a Eurocidade do Guadiana e outros parceiros transfronteiriços associaram-se para assinalar a data. A rubrica «40 Visões da Europa» vai dar voz a 40 pessoas (líderes políticos e associativos, jovens, cidadãos ,..)
Entre 4 de maio e 12 de junho (data da assinatura dos 40 anos do Tratado de Adesão) todos os dias um artigo . Mais informação sobre a campanha na página conjunta (4) Facebook
Leia também: 40 visões da Europa: Por uma Europa mais solidária com a Palestina | Por Dário Encarnação

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