Em julho de 1980, tinha eu 16 anos, tive oportunidade de ir de férias a França com outro Português.
Essa viajem era, na altura, uma aventura a exigir longa preparação: pedido de passaporte com mais de um mês de antecedência; troca, no banco, de escudos em pesetas e Francos (para os que já nasceram depois da adesão ao Euro, as moedas nacionais de Espanha e França) com as correspondentes percas de valor em taxas e diferenças de câmbio; longas paragens nas fronteiras para verificação aduaneira e carimbo de passaporte (para lá e para cá) e, regressados ao nosso país, troca, novamente, das pesetas e francos em escudos, com mais perca de valor, graças às comissões bancárias.
E isto, só para viajar em três países.
Quarenta e cinco anos depois, podemos ir de Lisboa a Helsínquia apenas com o cartão de cidadão e euros no bolso (mesmo os sete países que não fazem parte da zona Euro, aceitam geralmente esta moeda para pagamentos). Na realidade, podemos percorrer todos os 27 Estados da União Europeia com a mesma facilidade. Sem fronteiras, sem paragens desnecessárias. E, o nosso dinheiro não perde valor em câmbios e taxas.
A livre circulação e a moeda única são, para o cidadão comum, a face mais visível das vantagens da adesão à União Europeia. O Euro, apesar de todas as críticas que muitas vezes lhe fazem, representa um gigantesco avanço na qualidade de vida e na economia dos europeus (alguém quer regressar ao tempo dos câmbios e das taxas bancárias em que se mude de moeda sempre que se passa uma fronteira?).
Viajar, estudar, trabalhar, residir e até votar (nas eleições locais), livremente e com facilidade, numa Europa de muitas línguas e tantas culturas primas é (para alguém da minha geração) um feito extraordinário e enriquecedor. Na realidade, a União Europeia é uma das mais incríveis experiências sociais que a humanidade já viu: em que outro tempo ou lugar, 27 países soberanos (já foram 28) abdicaram voluntariamente de parte da sua soberania em nome de um bem comum e da melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos?
Além disso, a União Europeia é, sem sombra de dúvidas, o maior e mais consistente espaço mundial de democracia, humanismo, de defesa de princípios ecológicos e um garante da paz interna. A Europa é a pátria do Estado Social, dos sistemas nacionais de saúde e a capital da defesa dos direitos humanos.
Razões mais que suficientes para encher de orgulho qualquer cidadão europeu.
E, no entanto… ultimamente, temos visto crescer, no seio do próprio projeto europeu, forças extremistas que pretendem minimiza-lo ou mesmo destrui-lo, apresentando como negativas aquelas que são as virtudes maiores da União Europeia: a cedência de parte da soberania nacional para o bem comum e a integração da economia por via de uma moeda única.
Contrariando estas tendências, para mim, a solução para os países europeus não é menos Europa, mas, mais Europa: uma Constituição europeia, uma política fiscal parcialmente comum, política de defesa comum (com ênfase na indústria Europeia e com uma força de intervenção partilhada), Política externa conjunta, ordenado mínimo europeu, e…(porque não?) um federalismo idiossincrático Europeu.
Utopia? Talvez, mas a União Europeia nasceu de um sonho de prosperidade e paz e é esse mesmo sonho que pode aperfeiçoá-la e fazê-la avançar e progredir.
Num mundo cada vez mais multipolar, os países deste nosso velho espaço só manterão a sua relevância se se estiverem unidos e em integrados.
Assim, ao comemorarmos 40 anos de integração europeia, ergamos bem alto a bandeira da UE e digamos com orgulho: – Eu sou Cidadão Europeu!
Sobre o autor do artigo: António Martins, de 61 anos, reside no interior do concelho de Loulé. Casado (no coração, mas não no papel) e pai de 5 filhos, é professor de profissão e presidente da Junta de Freguesia de Alte, há oito anos. Europeísta e regionalista convicto, sonha com uma Europa forte, coesa, solidária, e, no entanto diversa, capaz de continuar a ser um exemplo e um guia para outras nações.

“40 Visões da Europa”
A 12 de junho de 1985, Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Adesão às então Comunidades Europeias (Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia da Energia Atómica e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Este foi o terceiro alargamento.
O Europe Direct Algarve, a CCDR Algarve, a Eurocidade do Guadiana e outros parceiros transfronteiriços associaram-se para assinalar a data. A rubrica «40 Visões da Europa» vai dar voz a 40 pessoas (líderes políticos e associativos, jovens, cidadãos ,..)
Entre 4 de maio e 12 de junho (data da assinatura dos 40 anos do Tratado de Adesão) todos os dias um artigo . Mais informação sobre a campanha na página conjunta (4) Facebook
Leia também: 40 visões da Europa: Por uma UE independente, mais coesa e mais democrática | Por Rodrigo Teixeira

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