Num mundo em constante mutação, onde o que hoje parece seguro, amanhã se revela incerto, impõe-se uma reflexão séria e profunda sobre o projeto europeu. A União Europeia, que outrora surgiu como resposta aos escombros da guerra e à necessidade de reconstrução, confronta-se agora com um novo tabuleiro geopolítico, mais complexo, mais volátil, mais tridimensional. Já não basta alinhar interesses económicos ou manter a paz entre nações vizinhas, há que repensar o papel da União no mundo e nas relações entre os Estados-Membros.
Nestes que são tempos de profundas clivagens sociais, políticas e económicas, o divisionismo alastra se transversalmente a um ritmo alarmante. Na política, assistimos a discursos cada vez mais polarizados e dogmáticos; na sociedade, verificamos uma tensão constante entre visões diametralmente opostas, em que muitas vezes é deixado de lado o respeito pelo direito à opinião do outro; na economia, assistimos ao retorno de políticas protecionistas de parceiros estratégicos da União. Ora, a fragmentação profunda da sociedade dificulta qualquer tentativa séria de projeto comum.
No meio de toda esta salganhada, é legítimo perguntar: onde está a União Europeia? Que papel assume neste novo quadro mundial? Será apenas uma entidade reguladora ou poderá ainda ambicionar ser um verdadeiro motor de convergência, capaz de unir povos e nações em torno de objetivos partilhados e de uma visão comum para o futuro?
Talvez este seja o tempo em que mais necessitamos de um projeto europeu coeso, robusto e ambicioso. A fragmentação do mundo contemporâneo exige uma Europa que não se limite a observar, mas que atue, que influencie, que defenda os seus valores fundacionais. Para isso, mais do que repensar o seu funcionamento, há que conferir à União mais poder e capacidade de decisão, sem necessidade de sujeição a burocracias infindáveis que atrasam o progresso europeu.
O futuro europeu não pode depender apenas de acordos comerciais e fundos de coesão, mas sim de uma verdadeira identidade comum, construída com base numa visão estratégica e partilhada. Apenas deste modo estará a União apta a enfrentar os desafios que lhe são apresentados.
Sobre o autor do artigo: Rúben Pires é licenciado em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e exerce atualmente como advogado. É ainda presidente da Juventude Social Democrata de Olhão e vice-presidente da Juventude Social Democrata do Algarve.

“40 Visões da Europa”
A 12 de junho de 1985, Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Adesão às então Comunidades Europeias (Comunidade Económica Europeia, Comunidade Europeia da Energia Atómica e Comunidade Europeia do Carvão e do Aço). Este foi o terceiro alargamento.
O Europe Direct Algarve, a CCDR Algarve, a Eurocidade do Guadiana e outros parceiros transfronteiriços associaram-se para assinalar a data. A rubrica «40 Visões da Europa» vai dar voz a 40 pessoas (líderes políticos e associativos, jovens, cidadãos ,..)
Entre 4 de maio e 12 de junho (data da assinatura dos 40 anos do Tratado de Adesão) todos os dias um artigo . Mais informação sobre a campanha na página conjunta (4) Facebook
Leia também: 45 anos de vida. 40 anos de Europa. E agora? É hora de caminharmos, unidos, no sentido certo | Por Alexandre Pereira

O Europe Direct Algarve faz parte da Rede de Centros Europe Direct da Comissão Europeia. No Algarve está hospedado na CCDR Algarve – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.
CONSULTE! INFORME-SE! PARTICIPE! Somos a A Europa na sua região!
Newsletter * Facebook * Twitter * Instagram
















