Uma praia histórica de Trieste, no norte de Itália, continua a separar homens e mulheres através de um muro, mantendo uma tradição que remonta ao século XIX. A praia La Lanterna, conhecida localmente como Pedocìn, é considerada única na Europa por conservar esta divisão até aos dias de hoje.
A zona balnear tem duas áreas distintas: uma destinada aos homens e outra às mulheres. As crianças podem ficar do lado feminino até aos 12 anos, seguindo as regras tradicionais do espaço.
Tradição existe desde 1890
A praia La Lanterna foi inaugurada em 1890 e tornou-se um dos locais mais simbólicos de Trieste. Apesar de estar equipada como uma praia moderna, com chuveiros, vestiários e bar, mantém uma característica que surpreende muitos visitantes.
De acordo com o Notícias ao Minuto, o muro divide não só o areal, mas também o acesso ao mar. De um lado ficam os homens; do outro, as mulheres e as crianças mais novas.
A entrada é paga e ronda um euro. Para muitos residentes, a regra faz parte da identidade local. Para alguns turistas, porém, a separação é vista como uma tradição ultrapassada.
Casal tentou desobedecer à regra
A polémica voltou a ganhar destaque depois de um casal de Milão ter tentado sentar-se na zona reservada aos homens. O caso foi relatado pelo jornal italiano Trieste Prima.
Segundo a mesma publicação, uma moradora local chamou a atenção do casal, explicando que as regras de La Lanterna são claras e não admitem exceções: homens de um lado, mulheres do outro.
A reação do turista terá sido exaltada. O homem criticou a tradição, classificando-a como “absurda”, “medieval” e “sexista”, o que acabou por atrair a atenção de outras pessoas que estavam no espaço.
Discussão acabou em agressões
A tensão aumentou ao ponto de o responsável pelo espaço ameaçar chamar a polícia. Em vez de se acalmar, o turista terá empurrado um funcionário e sido violento com a mulher que o tinha chamado à atenção.
O casal acabou por abandonar a praia e, segundo a imprensa italiana, terá pedido o reembolso dos bilhetes. Não é claro se o valor foi devolvido.
O episódio reacendeu o debate sobre a continuidade desta regra numa praia pública e turística. Para uns, trata-se de uma tradição histórica de Trieste; para outros, é uma prática difícil de justificar nos dias de hoje.
Um dos símbolos de Trieste
La Lanterna deve o nome à proximidade do farol com o mesmo nome. Entre os habitantes de Trieste, porém, a praia é mais conhecida como Pedocìn, palavra associada à sua pequena dimensão e à grande concentração de banhistas.
Apesar da controvérsia, o espaço continua a ser muito procurado por locais e visitantes. A praia é também apontada como um ponto interessante para ver o pôr do sol na cidade.
O facto de ser considerada a única praia da Europa que mantém esta separação formal entre homens e mulheres torna-a uma atração turística invulgar.
Tradição que continua a dividir opiniões
A existência do muro é, para muitos, uma curiosidade histórica. Para outros, é um sinal de que algumas tradições sobrevivem mesmo quando já não acompanham a sensibilidade atual.
A praia La Lanterna continua, assim, a ser um lugar onde passado e presente se cruzam de forma pouco comum. Ao mesmo tempo que oferece os serviços de uma zona balnear moderna, mantém uma regra criada há mais de 130 anos.
O episódio com o casal de Milão mostra que a tradição continua longe de ser consensual. E, numa cidade habituada a defender os seus símbolos, a pequena praia de Trieste voltou a tornar-se notícia por uma divisão que ainda hoje separa literalmente homens e mulheres.
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