Dois homens foram julgados em Inglaterra por envolvimento num plano de ataque armado contra a comunidade judaica, inspirados pelo Estado Islâmico. O caso, acompanhado de perto pelo tribunal e pelas autoridades antiterroristas, foi apresentado como um sinal do risco crescente associado à radicalização online.
Condenações após investigação antiterrorista
Walid Saadaoui, de 38 anos, e Amar Hussein, de 52, foram considerados culpados de preparação de atos terroristas. A acusação descreveu um plano para usar armas automáticas e provocar o maior número possível de vítimas, cenário que as autoridades dizem poder ter sido um dos mais mortíferos no Reino Unido caso tivesse avançado, refere o site especializado em atualidade e economia Executive Digest.
Segundo a investigação, Saadaoui tentou introduzir no país duas espingardas de assalto, uma pistola automática e cerca de 200 munições através do porto de Dover, em maio de 2024. Planeava ainda adquirir mais armamento e pelo menos 900 cartuchos adicionais, mas o plano foi frustrado porque o fornecedor era, afinal, um agente infiltrado.
Vínculos ideológicos e referências operacionais
A polícia antiterrorista afirma que Saadaoui e Hussein “abraçaram as ideias” do Estado Islâmico e estavam dispostos a morrer para se tornarem “mártires”. A acusação referiu que Saadaoui demonstrava admiração por Abdelhamid Abaaoud, um dos coordenadores dos ataques de Paris ao Teatro Bataclan em 2015, que serviam como referência operacional.
As condenações ocorreram pouco mais de uma semana após um ataque mortal não relacionado numa sinagoga em Manchester. No plano internacional, o caso foi enquadrado num momento marcado por um massacre durante a celebração de Hanukkah na praia de Bondi, em Sydney, com 15 vítimas mortais.
Declarações em julgamento e veredicto
Ambos os arguidos declararam-se inocentes, com Saadaoui a alegar ter agido por receio pela própria vida e Hussein a optar por não prestar declarações. O julgamento decorreu no Tribunal da Coroa de Preston, que concluiu pela sua culpa no crime de preparação de atos terroristas, explica ainda a Executive Digest.
Bilel Saadaoui, irmão de Walid, foi condenado por não comunicar informações sobre atos terroristas. Segundo os procuradores, demonstrou relutância em participar no ataque, mas falhou no dever de alertar as autoridades.
Alerta renovado sobre a ameaça jihadista
Responsáveis europeus sublinham que, apesar de o Estado Islâmico já não ter a mesma capacidade territorial de há uma década, permanece ativo através da radicalização e propaganda digitais. Os serviços de segurança referem um aumento das investigações relacionadas com terrorismo e maior circulação de conteúdos extremistas nas redes sociais.
O diretor do MI5, Ken McCallum, afirmou que, desde 2020, foram frustrados 19 planos de ataque em fase avançada no Reino Unido, além de centenas de outras ameaças neutralizadas. As forças policiais apontam a cooperação internacional e a infiltração como elementos determinantes para travar operações em preparação.
O papel do tribunal e a mensagem dissuasora
Com o veredicto, o tribunal reforçou a ideia de que a preparação de um ataque armado será objeto de resposta penal firme. A decisão, segundo as autoridades, procura também dissuadir iniciativas inspiradas por grupos jihadistas e desencorajar o apoio logístico a atos violentos.
Organizações comunitárias e autoridades locais mantêm medidas de proteção em áreas sensíveis, incluindo locais de culto e eventos públicos. As forças de segurança reiteram a importância de reportar comportamentos suspeitos e reforçar a vigilância preventiva.
















