O verão aproxima-se e um dos destinos europeus mais pressionados pelo turismo decidiu intervir no espaço público. As autoridades locais avançaram com novas regras para limitar práticas consideradas excessivas e responder a um problema antigo, sentido sobretudo nos meses de maior afluência. Em causa está a forma como turistas são abordados nas ruas de Capri, muitas vezes de forma persistente, logo à chegada ao destino.
A decisão surge depois de vários alertas sobre o impacto do turismo de massas num território pequeno, com ruas estreitas e infra-estruturas pensadas para uma população muito inferior ao número diário de visitantes. O objectivo passa por garantir maior fluidez na circulação, reduzir situações de incómodo e tornar a experiência mais tranquila para quem visita e para quem ali vive.
Segundo a Euronews, site especializado em informação europeia e internacional, a medida integra um pacote mais alargado de intervenções pensadas para acalmar a época estival. Nos últimos anos, as autoridades locais já tinham limitado o tamanho dos grupos turísticos e proibido os guias de utilizarem altifalantes ou acessórios que facilitassem a concentração de multidões nos mesmos pontos.
Menos pressão nas ruas e mais liberdade para circular
O novo regulamento vai mais longe e actua directamente sobre as abordagens comerciais na via pública. Ficam proibidas as tentativas insistentes de captação de clientes em espaços públicos ou de uso público, incluindo contactos repetidos, intercepções do percurso dos turistas ou publicidade não solicitada no espaço urbano.
Só mais à frente surge a confirmação do cenário: trata-se de Capri, uma das ilhas mais visitadas de Itália e um símbolo do turismo mediterrânico. Em plena época alta, este território recebe até 50 mil visitantes por dia, um número que contrasta com a população residente, estimada entre 13 mil e 15 mil pessoas.
Para muitos visitantes, o percurso desde o porto até aos principais pontos da ilha tornou-se sinónimo de abordagens sucessivas. Restaurantes, operadores turísticos e serviços de passeios disputam a atenção de quem passa, oferecendo excursões de barco, voltas à ilha ou menus com desconto.
Multas para quem não cumprir
A nova portaria municipal estabelece sanções financeiras para os infractores, com multas que variam entre 25 e 500 euros. O regulamento especifica que a proibição abrange qualquer forma de intermediação ou promoção de bens e serviços feita de forma intrusiva, incluindo a distribuição de folhetos, mapas ou brochuras na via pública.
O presidente da câmara, Paolo Falco, já tinha reconhecido publicamente a dimensão do problema, referindo situações em que turistas são abordados várias vezes num curto espaço de tempo, ainda antes de conseguirem iniciar a visita à ilha. Para o autarca, esta insistência cria um efeito negativo e compromete a imagem do destino.
Ainda assim, a autarquia sublinha que não está em causa impedir a actividade económica, mas sim impor limites claros. A promoção comercial continua a ser permitida, desde que feita de forma discreta e respeitosa, compatível com aquilo que as autoridades classificam como o “espírito” de Capri.
Um sinal para outros destinos turísticos
A iniciativa insere-se numa tendência crescente em vários pontos turísticos europeus, confrontados com os efeitos do excesso de visitantes. Em Itália, outras localidades já avançaram com restrições semelhantes, procurando equilibrar turismo, qualidade de vida e preservação do espaço público.
No caso de Capri, a expectativa é que a limitação das abordagens contribua para reduzir o caos nas zonas mais movimentadas e facilite a circulação nas ruas estreitas, sobretudo nos meses de verão. De acordo com a Euronews, a aposta passa por devolver alguma tranquilidade a um destino que há muito vive sob forte pressão turística.
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