As autoridades espanholas decretaram o estado de alerta em dois concelhos da Andaluzia depois de terem sido detetados mosquitos portadores do vírus do Nilo Ocidental. A decisão abrange La Puebla del Río e Coria del Río, ambos localizados na província de Sevilha.
Segundo avança o Correio da Manhã, a presença do vírus foi confirmada através de duas armadilhas utilizadas no sistema de vigilância entomológica da região.
Perante os resultados, o Governo da Andaluzia decidiu reforçar as medidas de controlo e prevenção nos dois municípios.
Vírus já tinha sido detetado noutras localidades
La Puebla del Río e Coria del Río não são os primeiros concelhos andaluzes onde foi confirmada a circulação do vírus durante este ano.
As autoridades já tinham declarado o estado de alerta em Pulpí, Torredonjimeno, Palomares del Río e Constantina.
A Andaluzia faz fronteira com Portugal, o que aumenta a atenção dada à evolução do vírus e à presença dos mosquitos responsáveis pela sua transmissão.
Alterações climáticas favorecem expansão
O ressurgimento de doenças transmitidas por mosquitos tem sido apontado como uma ameaça crescente para a saúde pública.
Segundo uma investigação da Universidade Pompeu Fabra, apoiada pela Fundação “la Caixa”, infeções como a dengue e o vírus do Nilo Ocidental estão a expandir-se para novas regiões.
Estas doenças eram tradicionalmente mais comuns em zonas tropicais e subtropicais, mas fatores como as alterações climáticas e a globalização estão a favorecer a sua disseminação.
O aumento das temperaturas, a alteração dos ciclos de chuva e a maior mobilidade de pessoas e mercadorias criam condições mais favoráveis à reprodução e deslocação dos mosquitos.
Lisboa exige vigilância ativa
Em Portugal, o risco associado às doenças transmitidas por vetores também tem sido acompanhado pelas autoridades e por especialistas.
O relatório Countdown Europe 2026, publicado em abril pela revista científica The Lancet, analisou o impacto das alterações climáticas na propagação deste tipo de infeções.
O documento destacou a Área Metropolitana de Lisboa como uma das zonas onde mais aumentou a adequação ambiental para possíveis surtos do vírus do Nilo Ocidental.
Segundo o relatório, o risco passou de níveis praticamente nulos para valores que justificam uma vigilância ativa por parte das autoridades de saúde.
Maioria das infeções não provoca sintomas
O vírus do Nilo Ocidental é transmitido sobretudo através da picada de mosquitos infetados, que adquirem o agente depois de picarem aves portadoras.
A maioria das pessoas infetadas não apresenta sintomas. Nos restantes casos, podem surgir febre, dores de cabeça, cansaço, dores musculares, náuseas ou erupções cutâneas.
Em situações raras, a doença pode evoluir para formas neurológicas graves, como meningite ou encefalite, sobretudo em pessoas idosas ou com o sistema imunitário fragilizado.
As autoridades recomendam a utilização de repelente, roupa que cubra braços e pernas e a eliminação de águas paradas, onde os mosquitos podem reproduzir-se.
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