Os cães e gatos que saem à rua podem estar a transportar uma espécie invasora sem que os donos se apercebam. Trata-se de um verme plano, capaz de aderir ao pelo com um muco extremamente pegajoso e de viajar longas distâncias, contribuindo para a sua disseminação por vários países europeus.
A hipótese ganha força num estudo citado pelo Daily Mail, jornal britânico generalista, que relata a identificação destes organismos por investigadores do Museu Nacional de História Natural de França. Segundo a mesma fonte, os exemplares foram encontrados agarrados à pelagem de animais domésticos, ainda com tufos de pelo visíveis.
Os vermes podem atingir cerca de 20 centímetros de comprimento e distinguem-se por uma faixa amarela ao longo do dorso, acompanhada por linhas castanhas.
A espécie, conhecida cientificamente como Caenoplana variegata, é originária da Austrália e alimenta-se de artrópodes, o que levanta preocupações quanto ao impacto nos ecossistemas do solo.
Dispersão silenciosa
Até agora, a propagação destes platelmintos era sobretudo associada ao comércio e transporte de plantas. Os dados recolhidos ao longo de mais de uma década em iniciativas de ciência cidadã em França apontam para um novo vetor de dispersão. Os animais de companhia, ao circularem entre jardins, parques e zonas húmidas, podem transportar os vermes involuntariamente.
A capacidade de aderir a superfícies através de um muco persistente facilita a fixação no pelo. A reprodução sem necessidade de parceiro e a resistência em diferentes ambientes aumentam a probabilidade de sobrevivência durante o transporte.
Apesar da dimensão e do aspeto invulgar, não há indicação de perigo direto para cães e gatos. O risco identificado pelos investigadores prende-se com a fauna local. Ao predarem insetos e outros pequenos invertebrados, estes organismos podem alterar o equilíbrio do solo e afetar cadeias alimentares.
Os cientistas estimam que, em conjunto, cães e gatos percorram anualmente milhares de milhões de quilómetros. Mesmo que apenas uma pequena fração transporte estes vermes, a distância acumulada é suficiente para favorecer a expansão da espécie.
Vigilância sem alarmismo
A recomendação passa por uma verificação simples do pelo dos animais após os passeios, sobretudo em ambientes húmidos ou com vegetação densa. A deteção precoce pode evitar a introdução acidental destes organismos em novos locais.
O fenómeno enquadra-se num contexto mais amplo de circulação de espécies não nativas, facilitada pela mobilidade humana e pelas alterações ambientais. A presença de um vetor adicional de dispersão, como os animais domésticos, acrescenta uma variável difícil de controlar.
Para além disso, o Daily Mail sublinha que o estudo foi publicado na revista científica PeerJ e que situações semelhantes poderão estar a ocorrer noutros países europeus, embora os dados se concentrem em território francês.
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