A circulação de milhares de mensagens nas redes sociais levou as forças de segurança espanholas a reforçarem a vigilância e a analisarem o alcance de uma nova mobilização em direção a Ceuta. Embora não seja possível prever quantas pessoas poderão responder aos apelos, as autoridades não afastam o risco de uma nova tentativa de atravessar a fronteira.
As publicações apontam para 15 de agosto e referem Ceuta como destino. Castillejos, designação espanhola da cidade marroquina de Fnideq, aparece em algumas mensagens como possível ponto de concentração.
De acordo com um documento da Guardia Civil divulgado pela empresa pública de rádio e televisão de Espanha RTVE, o risco de a convocatória se concretizar é considerado real, embora a sua dimensão permaneça incerta.
Mensagens vão além de um simples rumor
Fontes da Guardia Civil ouvidas pelo jornal espanhol 20minutos classificam a situação como “mais do que um rumor”. O corpo de segurança confirmou que as mensagens existem e estão a ser acompanhadas.
As publicações circulam sobretudo através do WhatsApp, Facebook, Instagram e TikTok. Algumas incluem a data de 15 de agosto e expressões como “A nossa última oportunidade” ou “Tudo se verá nesse dia”.
Em vários grupos surge também a palavra “harraga”, termo utilizado no Norte de África para designar pessoas que tentam emigrar ou atravessar fronteiras de forma irregular.
RTVE analisou quase seis mil mensagens
Uma investigação da unidade VerificaRTVE acompanhou três grupos de WhatsApp, cinco comunidades do Facebook e dezenas de contas no Instagram e no TikTok.
As comunidades analisadas no Facebook reuniam mais de 210 mil membros. No WhatsApp, foram examinadas quase seis mil mensagens partilhadas entre 4 e 6 de agosto por grupos com mais de 400 participantes.
Parte das conversas aborda uma possível concentração a 15 de agosto. No entanto, também existem utilizadores que manifestam dúvidas sobre a veracidade da convocatória ou desaconselham a tentativa de travessia.
Data de 15 de agosto não é uma certeza
Apesar de ser a data mais repetida, o dia 15 não surge como uma indicação definitiva. A investigação da televisão pública espanhola encontrou referências a outros dias, sobretudo depois de a convocatória ter sido divulgada pelos meios de comunicação social.
Fontes citadas pelo mesmo canal admitem que uma eventual tentativa possa acontecer um ou dois dias antes. Esta hipótese não representa uma confirmação, mas está a ser considerada pelas autoridades na preparação do dispositivo.
A Agência EFE refere igualmente que a origem e o alcance das mensagens permanecem pouco claros. Algumas fontes policiais consideram possível que o número de seguidores tenha sido manipulado e que parte da campanha seja um episódio de desinformação.
Vigilância reforçada em Ceuta
A cidade autónoma mantém um dispositivo de segurança reforçado após a entrada em massa registada no final de julho. Segundo dados do Ministério do Interior citados pela RTVE, cerca de 72 mil pessoas atravessaram então a fronteira, tendo aproximadamente 70 mil regressado a Marrocos nos primeiros dias.
Mais de uma centena de elementos da Guardia Civil continua destacada em Ceuta, em articulação com a Polícia Nacional. O delegado do Governo na cidade, Miguel Ángel Pérez Triano, afirmou que estes reforços permanecerão enquanto forem considerados necessários.
O Ministério do Interior decidiu ainda enviar mais 45 agentes da Unidade de Intervenção Policial. O reforço foi confirmado esta sexta-feira por fontes ministeriais citadas pela agência espanhola Europa Press.
Exército mantém presença
As unidades militares mobilizadas durante a crise continuam em Ceuta, neste caso preparados para uma nova “invasão”, como lhe chamou o presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, citado pela Euronews. Segundo fontes do Ministério da Defesa ouvidas pelo 20minutos, a presença será mantida até que o Ministério do Interior considere que deixou de ser necessária.
A Guardia Civil defende também um reforço mais duradouro dos meios disponíveis. Entre as necessidades transmitidas por fontes do corpo encontram-se mais elementos para os serviços de informação, pelo menos 200 agentes adicionais e maior envolvimento das instituições europeias.
Governo de Ceuta acompanha convocatória
O porta-voz do Governo de Ceuta, Alejandro Ramírez, confirmou que o Executivo espanhol conhece as mensagens. Em declarações citadas pela Europa Press, afirmou esperar que o Estado disponibilize os meios necessários para impedir que se repita a situação de 30 de julho.
O presidente da cidade autónoma, Juan Jesús Vivas, citado pela Euronews, também reconheceu a preocupação existente entre os habitantes com uma nova “invasão”. Apesar disso, as autoridades sublinham que o atual dispositivo é mais robusto e que existe maior coordenação entre os diferentes corpos de segurança.
União Europeia também vigia as redes
A Comissão Europeia confirmou que acompanha as publicações relacionadas com 15 de agosto. O porta-voz comunitário para os Assuntos Internos, Guillaume Mercier, explicou que a vigilância será mantida antes, durante e depois dessa data.
Bruxelas recomenda, contudo, prudência na interpretação das mensagens. A porta-voz da Comissão, Arianna Podestà, lembrou que muitas informações permanecem por verificar e que ainda não existe uma imagem clara sobre a dimensão da possível mobilização.
















