A manhã já se aproximava do fim quando cheguei à Churrasqueira Imperial, em Faro. Ao meio dia em ponto, a Cláudia, proprietária do restaurante, estava sentada numa mesa já à minha espera. A casa estava ainda vazia. Cláudia, natural de São Paulo e há 20 anos a morar no Algarve, estava com receio de que não conseguisse encontrar o restaurante. É que o espaço não se situa no interior das muralhas da cidade, a chamada Vila Adentro, e, ainda que esteja no centro histórico da capital algarvia, a rua que acolhe a churrasqueira é relativamente ‘discreta’.
Esta é uma das razões pelas quais Cláudia acredita que a Churrasqueira Imperial ainda não tenha chegado às ‘bocas do mundo’. No entanto, a hora de almoço de segunda-feira, 10 de agosto, mostrou que, afinal, ainda há muitos habitantes locais e turistas que sabem chegar à porta número 6 da Travessa Castilho, em Faro.

Pratos abaixo dos 15 euros
Enquanto conversávamos, David, o marido de Cláudia, observava-nos a partir do balcão. É mais recatado e, assim que chegaram as primeiras clientes do dia, ‘fugiu’ para aquele que é o seu ‘porto de abrigo’ – a grelha. Na Churrasqueira Imperial, tal como o nome sugere, os grelhados são protagonistas. E como Cláudia apoia a simplicidade e quer combater a ideia de que os restaurantes cada vez servem menos e cobram mais, não se contém na hora de meter comida no prato.
Quando a carta lhe chegar às mãos logo verá que as suas escolhas poderão recair entre o meio frango de churrasco (11€) ou a meia grelhada mista (13,50€). Se preferir as versões para partilhar, o frango de churrasco chega aos 22 euros e a grelhada mista aos 26 euros, sempre com dois acompanhamentos incluídos. Para acompanhar pode optar pelo arroz, batata frita ou pelo feijão. Cláudia diz até que muitos entram no restaurante mais por causa do feijão do que propriamente pela carne.
A convite de Cláudia, o POSTAL teve a oportunidade de experimentar a grelhada mista com os três acompanhamentos. Um dos destaques vai para a velocidade do atendimento, já que os clientes não chegam a ficar 10 minutos à espera do seu pedido. Cláudia explica que, sobretudo no verão, fazer tudo sozinha com David é um desafio, uma vez que os dois têm de preparar as mesas, cozinhar, servir, tratar dos pagamentos e limpar tudo quando os clientes se vão embora. No pico da hora de almoço, houve até quem dissesse que Cláudia era “a Rosa Mota da rua”.

Diz o velho ditado que “quem corre por gosto não cansa” e Cláudia faz questão de o confirmar várias vezes ao longo da nossa conversa. No entanto, este sonho que começou há cerca de um ano e meio tem dado bastante trabalho. Quando Cláudia veio do Brasil para viver com David no Algarve, há 20 anos, começou por trabalhar no setor da hotelaria. David, por sua vez, trabalhava já como padeiro.
David concilia a churrasqueira com o trabalho enquanto padeiro
Quando abriram a Churrasqueira Imperial, ambos decidiram manter-se nas suas outras atividades profissionais, mas Cláudia rapidamente decidiu dedicar-se apenas ao restaurante. Por sua vez, David mantém ainda hoje o seu trabalho como padeiro. Assim, muitas vezes sai da churrasqueira direto para a padaria, onde troca a grelha pelo forno. No final do dia, Cláudia e David remam sempre em conjunto o mesmo barco, sempre em busca de novas ideias para tornar a Churrasqueira Imperial diferente dos outros restaurantes e, acima de tudo, para tentarem garantir que o inverno possa ser tão bom quanto o verão.
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