A ciência urbanística envolve inevitavelmente a prevenção e a reação a catástrofes em todas as suas perspetivas, até pelo aumento da frequência e intensidade dos fenómenos climáticos.
Os episódios catastróficos devem ser minuciosamente equacionados e a prevenção antecipada e concretizada, com tanto pormenor e rigor como se projeta a habitação e se providenciam as infraestruturas básicas, o abastecimento de água, de energia, o saneamento, a mobilidade, ou a segurança estrutural das edificações.

Porém, será que a ciência urbanística, exigente, transversal e minuciosa, aquela que estuda e prepara o território, a fim de servir como sustentáculo da vida, antecipando ocorrências catastróficas, continua em embrião?
A ciência do território é essencial como garantia de segurança
A gestão do território envolve um ramo de ciência fundamental, com a dignidade que justifica a nossa segurança, o bem-estar no seu nível básico, bem como a qualidade de vida.
Será que perante fenómenos catastróficos frequentes, como nos ventos ciclónicos, nas inundações devastadoras e destruição da costa que enfrentamos, nos mega incêndios, ou eventuais sismos, a realidade reflete ou confirmará a existência de um sistema objetivo, apropriado e eficaz de proteção, prevenção ou reação?

O Algarve é das regiões do país com maior vulnerabilidade à erosão costeira. O planeamento é fundamental
Existe e todos temos acesso livre à informação sobre mecanismos de vigilância permanente e transversal de todo o território, por via satélite ou pontual, através de drones.
Com cerca de 200 quilómetros de limite litoral e segundo especialistas em dinâmica costeira, o Algarve perdeu, em média, entre três e quinze metros de linha de costa por ano, pondo em perigo pessoas e bens. Na zona de Quarteira o mar avançou 90 metros desde os anos 70.
Os sistemas de informação geográfica de última geração, utilizando tecnologia avançada, são há muito uma realidade, assim como a existência de sensores pluviométricos de elevadíssima precisão, entre tantas outras ferramentas tecnológicas.
O Instituto de Cartografia Militar dispõe e disponibiliza um conjunto de dados de elevada precisão, que são fundamentais e permitem a prevenção antecipada e reação apropriada a fenómenos naturais ou catástrofes. Afinal, o que falha para que estas ferramentas de prevenção e reação não sejam convenientemente utilizadas?
Sistemas de alerta precoce e gestão inteligente são essenciais
A tecnologia existe e encontra-se disponível, como uma aliada indispensável na prevenção e na reação a catástrofes.
Os drones equipados com tecnologia apropriada observam, analisam e fornecem dados preciosos, em pormenor, sobre zonas de risco.

Os mapas digitais permitem analisar os locais sujeitos a catástrofes.
As imagens obtidas por satélite, em direto ou não, permitem acompanhar eventos resultantes das alterações climáticas e no território ao longo do tempo.
Quando utilizadas em articulação e de forma estruturada, estas ferramentas representam um apoio excecional na deteção antecipada de perigos para preparar medidas de prevenção e respostas mais rápidas e eficazes.
Países como a Suíça e Itália, utilizam com grande sucesso, estes mecanismos de prevenção e alerta.
Muitos hospitais e infraestruturas fundamentais entrarão em colapso em situação de catástrofe
As próprias redes de infraestruturas essenciais estarão em risco acrescido pela sua localização inapropriada ou frágil resistência antissísmica.
A deficiente e inadequada gestão do território acrescenta perigosidade às consequências das alterações climáticas irreversíveis, com episódios cada vez mais destrutivos e frequentes.

As torres e postes de transporte de energia ou infraestruturas não suportam as elevadas velocidades dos ventos resultantes das alterações climáticas, pois foram projetados para resistir aos ventos mais suaves do século passado.
Estas soluções e conclusões estão muito longe de representar a dramatização da realidade. Representam, nem mais nem menos, a própria realidade
Importa conhecer as causas da inoperância dos sistemas em uso, antecipar, prevenir e utilizar as inúmeras e inovadoras ferramentas disponíveis.
Nestas situações extremas há sempre, e inesperadamente, vidas e bens em risco em cada segundo!
Saibamos utilizar.
Leia também: Catástrofes. O território em causa. Prevenção ou reação | Por António Nóbrega
















