Passou uma vida ligada à agricultura e conhece de perto as contas que fazem cada campanha. Aos 70 anos, já reformado, David Chamorro diz que os custos estão a tornar cada vez mais difícil viver do campo e usa o caso da própria filha para mostrar até que ponto as margens podem desaparecer.
O agricultor espanhol, natural da província de León, falou ao Diario de León sobre as dificuldades que muitas famílias ligadas à agricultura continuam a enfrentar.
Segundo explica, trabalhar muitas horas já não significa necessariamente conseguir obter lucro no final da campanha.
“Trabalha-se muito e não se ganha nada”
David resume a situação de forma direta: “No campo trabalha-se muito e não se ganha nada”.
Para mostrar o que quer dizer, apontou o exemplo da filha, que no ano passado cultivou 40 hectares de milho.
Segundo o reformado, depois de feitas as contas, praticamente não houve margem de lucro. “A minha filha tinha 40 hectares de milho e o que fez foi trocar dinheiro”, lamentou, acrescentando que este ano a situação é semelhante.
Fertilizantes e gasóleo pesam nas contas
Entre os principais problemas estão os custos necessários para manter uma exploração agrícola em funcionamento.
David destaca o preço dos fertilizantes, do gasóleo e dos produtos usados nos tratamentos das culturas como despesas que têm vindo a pesar cada vez mais nos orçamentos.
“O fertilizante, o gasóleo, os sulfatos… tudo está muito caro”, explicou.
Quando estes custos sobem e os preços pagos aos produtores não acompanham a mesma evolução, a margem de lucro pode tornar-se muito reduzida ou mesmo desaparecer.
Entrar na agricultura está cada vez mais difícil
O agricultor reformado considera também que os jovens enfrentam enormes barreiras quando querem começar uma atividade agrícola.
Na sua opinião, fazê-lo sem existir já uma tradição familiar ou património agrícola é especialmente complicado devido ao preço das terras e ao investimento inicial necessário.
“Não se pode começar se não for por tradição familiar, porque as propriedades estão caríssimas”, afirmou.
“É preciso ter muita terra para conseguir viver”
A dimensão das explorações é outro dos obstáculos referidos por David.
Segundo explica, quem dispõe apenas de pequenas parcelas pode ter dificuldade em gerar rendimento suficiente para suportar os custos e garantir um salário.
“É preciso ter muita terra para conseguir viver dela”, defende.
Este cenário acaba por afastar muitos jovens, que veem na agricultura uma atividade com elevados investimentos, rendimentos incertos e forte dependência de fatores como o clima e os preços de mercado.
Reformado teme pelo futuro do setor
David acredita que, sem uma melhoria da rentabilidade, o problema da renovação geracional continuará a agravar-se.
“A gente jovem quer outra coisa e não isto, porque é um trabalho muito inseguro”, afirmou.
O seu testemunho mostra uma preocupação que atravessa várias regiões rurais: explorações familiares com custos cada vez maiores, margens reduzidas e dificuldade em encontrar quem queira continuar a atividade.
Depois de uma vida dedicada ao campo, este agricultor reformado deixa uma conclusão simples sobre a realidade que conhece bem: trabalhar muito já não significa necessariamente conseguir ganhar dinheiro.
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