O número de chamadas telefónicas suspeitas tem vindo a aumentar em Portugal, gerando preocupações entre consumidores, autoridades e entidades de defesa do consumidor. As burlas são cada vez mais sofisticadas, com novos métodos a emergirem para enganar as vÃtimas e aceder a dados sensÃveis.
Segundo o Jornal de NotÃcias, a PolÃcia de Segurança Pública (PSP) tem registado um volume crescente de queixas relacionadas com chamadas fraudulentas, o que levou à publicação de uma minuta informativa para ajudar os cidadãos a removerem os seus dados de bases de contactos publicitários.
Spoofing: quando o número parece confiável
De acordo com a DECO PROTeste, o chamado spoofing é uma das técnicas mais comuns: consiste na falsificação do número ou identidade da chamada para parecer que esta provém de uma entidade de confiança, como um banco ou uma operadora.
O objetivo é ganhar a confiança da vÃtima para recolher dados pessoais ou bancários. A própria associação confirma que os autores destes esquemas operam, muitas vezes, através de bots e programas automáticos.
Segundo o jurista LuÃs Pisco, da Deco, estas chamadas já ultrapassam o campo do marketing agressivo e entram no domÃnio do crime digital, com impactos reais para quem é apanhado de surpresa.
Dados pessoais são o ponto fraco
A facilidade com que os dados circulam na internet é apontada como uma das principais causas.
Formulários online, redes sociais e compras em sites pouco fiáveis expõem o número de telefone, e-mail e até morada a empresas que revendem essas informações.
Refere a mesma fonte que é comum ceder estes dados sem se dar conta, ao aceitar termos e condições ou ao assinar contratos de serviços.
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Smishing: o perigo escondido nas mensagens
Outra técnica crescente é o smishing, semelhante ao spoofing, mas feita por mensagem SMS. Nestas situações, o utilizador recebe um texto aparentemente inofensivo com um link, que pode conduzir a páginas falsas de bancos ou serviços públicos.
O objetivo é o mesmo: capturar informação pessoal e comprometer contas bancárias ou dispositivos.
Conforme a DECO PROTeste, há cada vez mais casos reportados de burlas bem-sucedidas com este método, sobretudo quando os remetentes imitam comunicações oficiais.
Como evitar as chamadas e mensagens abusivas?
As chamadas de marketing direto, embora legais em alguns contextos, também são vistas como intrusivas. Muitas vezes, o consentimento é dado involuntariamente ao assinar um contrato ou aderir a um serviço.
No entanto, os cidadãos têm o direito de solicitar a exclusão das suas informações dessas bases de dados.
Segundo o site da Direção-Geral do Consumidor, os utilizadores podem inscrever-se na Lista de Oposição ao Marketing Direto, disponÃvel em www.consumidor.gov.pt/lista-oposicao, o que obriga as empresas a respeitarem essa decisão. Caso contrário, estão sujeitas a coimas.
O que fazer em caso de burla?
Se continuar a receber chamadas indesejadas, mesmo após pedir a exclusão dos dados, pode apresentar queixa à Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), em www.cnpd.pt. No caso de tentativas de burla, as autoridades competentes são a PSP ou a GNR.
As recomendações passam por nunca divulgar códigos, palavras-passe ou dados sensÃveis por telefone ou mensagem, mesmo que o número pareça legÃtimo.
Também se aconselha a verificar cuidadosamente links recebidos e a manter uma postura cautelosa na internet.
LuÃs Pisco alerta que, em caso de dúvida, é preferÃvel desligar a chamada ou ignorar a mensagem. O bom senso é, neste campo, a melhor defesa contra um crime silencioso, mas cada vez mais presente no quotidiano.
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