A Península Ibérica vai estar no centro de uma sequência astronómica pouco comum entre 2026 e 2028. Em três anos consecutivos, haverá dois eclipses solares totais e um eclipse solar anular com impacto direto nesta região da Europa, um alinhamento raro que já está a despertar interesse entre astrónomos, curiosos e viajantes.
De acordo com o Ekonomista, esta sucessão ficou conhecida como “Trio de Eclipses”, precisamente por concentrar três fenómenos solares relevantes num espaço geográfico relativamente próximo e num intervalo de tempo curto. Espanha será o país mais favorecido, mas Portugal também terá oportunidades de observação, com especial destaque para 2026 e 2028.
O primeiro eclipse chega em agosto de 2026
O primeiro momento está marcado para 12 de agosto de 2026. Nesse dia, um eclipse solar total atravessará o norte de Espanha de oeste para leste, pouco antes do pôr do sol. A faixa de totalidade, onde o Sol fica completamente encoberto pela Lua, deverá passar por várias regiões espanholas, incluindo zonas da Galiza, Astúrias, Castela e Leão, Aragão, Catalunha, Comunidade Valenciana e Baleares.
Cidades como Valência, Saragoça, Bilbau e Palma estarão dentro da zona de totalidade. Madrid e Barcelona ficarão muito perto, com uma cobertura do disco solar superior a 99%, embora sem entrarem na escuridão completa.
Portugal também terá uma exceção rara
Em Portugal, o eclipse de 2026 será parcial na maior parte do território, mas haverá uma pequena exceção.
Segundo o Ekonomista, uma área muito reduzida do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, deverá entrar na faixa de totalidade durante cerca de 26 segundos. Será uma janela curta, mas suficiente para colocar o extremo nordeste português na rota do fenómeno.
No resto do país, o eclipse será parcial, embora bastante expressivo. No Porto, a cobertura do disco solar poderá aproximar-se dos 98%. Em Lisboa, deverá rondar os 94%.
Ainda assim, a diferença entre um eclipse parcial muito intenso e um eclipse total é grande. Só dentro da faixa de totalidade é possível observar a coroa solar e sentir a quebra abrupta de luminosidade associada a este fenómeno.
Sol baixo exige locais sem obstáculos
O eclipse de 2026 terá outra particularidade: acontecerá ao final da tarde. As fases parciais deverão começar entre as 18:33 e as 18:41, terminando entre as 20:24 e as 20:31. Isto significa que o Sol estará baixo no horizonte oeste.
Para quem quiser observar o fenómeno, será importante escolher um local com visão desimpedida. Prédios, montes, árvores ou outros obstáculos poderão impedir a observação.
Segundo eclipse favorece o sul de Espanha
O segundo eclipse solar total acontece a 2 de agosto de 2027. Desta vez, a faixa de totalidade passará pelo sul de Espanha, atravessará o Estreito de Gibraltar e seguirá depois pelo norte de África e Médio Oriente.
Na Península Ibérica, zonas como Cádis, Algeciras, Málaga e Gibraltar estarão em posição privilegiada. Noutras regiões do trajeto, a duração máxima do eclipse poderá ultrapassar seis minutos, tornando este num dos eclipses solares mais longos do século XXI.
Portugal continental ficará fora da faixa de totalidade. Ainda assim, o fenómeno será visível como eclipse parcial em todo o território, embora com percentagens de obscurecimento mais baixas do que em 2026.
O “anel de fogo” chega em 2028
O terceiro fenómeno acontece a 26 de janeiro de 2028 e será diferente dos anteriores. Será um eclipse solar anular. Neste caso, a Lua não cobre totalmente o Sol, porque se encontra mais afastada da Terra na sua órbita. O resultado é o chamado “anel de fogo”, uma circunferência luminosa visível em torno da sombra da Lua.
Este será o eclipse em que Portugal terá maior protagonismo dentro do trio. De acordo com o Ekonomista, a faixa de anularidade deverá atravessar a Península Ibérica e passar por Portugal continental, incluindo zonas do interior Centro e Norte.
Cidades como Guarda, Coimbra e Viseu ficarão dentro ou muito perto da faixa central, o que poderá tornar este eclipse particularmente relevante para observadores em território português.
Porque esta sequência é tão rara
Eclipses solares acontecem regularmente em algum ponto do planeta, mas raramente se concentram desta forma numa mesma região.
A raridade deste caso está na sucessão geográfica: três fenómenos solares relevantes, em três anos consecutivos, com a Península Ibérica dentro ou muito próxima das principais faixas de observação.
Espanha já está a preparar-se para receber observadores, cientistas e turistas. O eclipse de 2026 deverá atrair particular interesse internacional, por ocorrer em zonas com boas infraestruturas, clima favorável e facilidade de acesso.
Como observar sem risco
Observar um eclipse solar exige cuidados rigorosos. Nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada, mesmo durante eclipses parciais ou anulares. Óculos de sol comuns não protegem a visão. A observação deve ser feita com óculos próprios para eclipses, certificados pela norma ISO 12312-2, ou através de métodos indiretos de projeção.
Binóculos, telescópios e câmaras fotográficas também exigem filtros solares adequados. Sem essa proteção, a radiação solar pode causar lesões graves e permanentes na retina.
A única exceção ocorre durante os breves instantes de totalidade de um eclipse total, e apenas para quem estiver dentro da faixa exata onde o Sol fica completamente encoberto. Fora desse momento, a proteção continua a ser indispensável.
Um fenómeno para planear com antecedência
Para quem quer acompanhar estes eclipses, o planeamento será essencial. Em 2026, Portugal terá um eclipse parcial muito intenso em quase todo o território, mas a totalidade ficará limitada a uma pequena zona no extremo nordeste. Em 2027, o melhor ponto de observação na Península estará no sul de Espanha. Em 2028, o eclipse anular dará a Portugal uma oportunidade mais ampla de ver o chamado “anel de fogo”.
No final, a Península Ibérica prepara-se para três anos invulgares no calendário astronómico. Portugal não será sempre o palco principal, mas estará suficientemente perto da rota destes fenómenos para não ficar de fora da atenção mundial.
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