Um recibo que circula nas redes sociais levantou polémica sobre o valor pago pelo peixe em lota no Algarve. A publicação, feita no Facebook, mostra alegadamente uma venda de cavala por apenas 0,01 euros por quilo na lota de Quarteira: um preço que indignou pescadores e consumidores. Mas será mesmo verdade?
De acordo com o Polígrafo, órgão de verificação de factos português, o episódio é real: houve, de facto, registo de cavala vendida por esse valor simbólico na manhã de 26 de setembro.
O recibo partilhado pertence à embarcação “Ti Maria”, que descarregou o pescado na lota de Quarteira, gerida pela Docapesca. Ainda assim, trata-se de uma situação pontual, longe de representar o preço médio praticado nesse dia.
O que mostra o recibo que se tornou viral
A publicação nas redes sociais denunciava que “nas lotas portuguesas, como a de Quarteira, o peixe tem sido vendido a 0,01€/kg”, criticando duramente o sistema de leilão e a ausência de proteção aos produtores. O texto destacava que “um único cêntimo é menos do que custa o gelo, a caixa e o esforço de quem sai para o mar”.
Segundo o Polígrafo, o recibo é autêntico e confirma a venda de 97,4 quilos de cavala (tamanho 4 e grau de frescura B) ao preço de 0,01€/kg. O valor foi efetivamente registado nos sistemas da Docapesca e confirmado pelo Ministério da Agricultura e do Mar.

O Ministério confirma, mas contextualiza
Em resposta ao Polígrafo, o Ministério explicou que esse lote específico representava uma fração mínima do total de peixe vendido nesse dia. No total, foram transacionados 6.991 quilos de cavala na lota de Quarteira, sendo esta a única porção vendida ao preço simbólico de um cêntimo por quilo.
O mesmo esclarecimento indica que, no mesmo leilão, a embarcação “Ti Maria” vendeu outros lotes da mesma espécie a preços normais: cavala T1 a 1,75€/kg, T2 a 1,70€/kg e T3 a 0,52€/kg. O preço médio nacional da cavala nesse dia foi de 0,65€/kg, e a média semanal ficou em 0,55€/kg.
Porque é que isto acontece
Segundo a publicação, os preços em lota dependem da relação entre oferta e procura e são definidos através de licitação eletrónica. Quando há excesso de pescado, o mercado não consegue absorver toda a quantidade, o que leva a vendas pontuais a preços muito baixos.
O Ministério sublinhou que estes episódios não refletem o comportamento global do setor, mas antes situações específicas de sobreoferta. Explica ainda que o leilão eletrónico é transparente e que o valor final é determinado pelos compradores presentes.
Um caso excecional, não uma regra
Apesar da indignação gerada nas redes sociais, o caso da “Ti Maria” não representa uma tendência generalizada.
De acordo com o Polígrafo, os registos mostram que o preço máximo de cavala vendido nesse dia nesta lota no Algarve Quarteira chegou a 2,90€/kg, o que contrasta com o valor simbólico dos 97 quilos em causa.
















