A MEO poderá avançar com o despedimento de cerca de 1.200 trabalhadores após ter obtido o estatuto de empresa em reestruturação, uma decisão que está a gerar contestação sindical. A medida surge numa altura em que representantes dos trabalhadores defendem que a operadora já enfrenta escassez de recursos humanos em diversos serviços, levantando dúvidas sobre o impacto de uma nova redução de efetivos.
De acordo com o site da rádio Renascença, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV), o mais representativo entre os sindicatos ligados à empresa, foi surpreendido pelas notícias relacionadas com o eventual despedimento coletivo.
Sindicato diz ter sido apanhado de surpresa
O presidente do SINTTAV, Manuel Gonçalves, afirmou que não recebeu qualquer indicação prévia por parte da empresa. “Ainda há dois dias estive em Bruxelas com dois representantes da empresa e não falámos em nada disso”, declarou à estação de rádio.
Para o dirigente sindical, a possibilidade de mais uma redução de trabalhadores enquadra-se numa estratégia seguida desde a aquisição da antiga Portugal Telecom pela Altice. Segundo explicou, a política tem sido marcada pela diminuição contínua dos quadros da empresa.
Redução contínua ao longo dos anos
Manuel Gonçalves recorda que a dimensão da operadora mudou significativamente nas últimas décadas. “Em 1994, éramos 24.000 e neste momento somos menos de 5.000”, afirmou, descrevendo um processo gradual de redução de recursos humanos.
A mesma fonte refere que muitos trabalhadores têm deixado a empresa através de reformas, aposentações, reformas antecipadas e acordos de rescisão por mútuo consentimento. Ainda assim, o sindicato considera que os números continuam a diminuir de forma acentuada.
Venda da empresa aumenta preocupações
Segundo o responsável sindical, a situação poderá estar relacionada com o processo de procura de um comprador para a empresa. Manuel Gonçalves sustenta que o número de trabalhadores influencia a valorização da operadora numa eventual venda.
“A empresa como a MEO se tiver 5.000 trabalhadores tem um preço, se tiver 3.000 tem outro preço e o dono da Altice quer é dinheiro”, afirmou. Acrescenta ainda que a Altice terá encerrado recentemente 23 edifícios, estruturas que poderão igualmente ser alienadas.
Falta de pessoal é apontada como problema
A contestação do sindicato ganha força porque, segundo os representantes dos trabalhadores, a empresa já sente dificuldades operacionais devido à falta de pessoal. O dirigente sindical cita como exemplo os efeitos das tempestades que atingiram várias regiões do país no início deste ano.
“Há muitos telefones que ainda não funcionam desde a catástrofe e não se sabe quando começam a funcionar porque não há pessoal”, lamentou. “Eles não têm pessoal”, acrescentou.
Rescisões podem atingir valores elevados
A Renascença refere ainda que continuam a existir processos de saída negociada. Segundo Manuel Gonçalves, algumas rescisões por mútuo acordo rondam os 100.000 euros, embora alerte para os riscos associados a essas decisões.
“O dinheiro vai depressa”, afirmou o sindicalista, alertando para situações de trabalhadores relativamente jovens que optam por abandonar a empresa. “Há trabalhadores com pouco mais de 40 anos a rescindirem. Ao fim de meia dúzia de anos, não têm dinheiro nem posto de trabalho.”
Estatuto de reestruturação abre caminho ao processo
A possibilidade de despedimento está associada ao estatuto de empresa em reestruturação solicitado pela MEO. Segundo a mesma fonte, esse enquadramento foi atribuído no início deste ano e mantém-se válido até 30 de junho.
É precisamente através deste mecanismo que a operadora poderá avançar com o corte de cerca de 1.200 postos de trabalho. Apesar da oposição manifestada pelo sindicato, Manuel Gonçalves admite que a margem de intervenção é reduzida, uma vez que o processo já recebeu enquadramento legal por parte das entidades competentes.
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