Viajar de avião continua a obrigar a atenção redobrada à bagagem, sobretudo quando estão em causa baterias de lítio e carregadores portáteis. Nos últimos tempos, a pressão sobre este tipo de equipamentos aumentou e as transportadoras estão a apertar as regras, numa tentativa de reduzir um risco que preocupa autoridades e companhias aéreas em vários mercados.
O objeto em causa é o power bank. A regra-base mantém-se: estes carregadores portáteis não podem seguir na bagagem de porão e devem ser transportados na cabine do avião, porque são tratados como baterias sobressalentes.
A Agência da União Europeia para a Segurança Aérea (EASA) mantém essa orientação na Europa, e as autoridades norte-americanas seguem o mesmo princípio, de acordo com o jornal americano Washington Post.
Nem tudo o que vai no porão é mais seguro
É aqui que muitos passageiros se enganam. Ao contrário dos líquidos, que têm limitações mais severas na cabine mas podem seguir no porão, os power banks não ficam mais seguros quando são despachados.
Pelo contrário, as regras europeias de segurança aérea indicam que um dispositivo eletrónico pode, em certos casos, ir no porão se estiver desligado e protegido contra ativação acidental. Já as baterias soltas e os power banks devem ir sempre na bagagem de mão.
A regra aplica-se também às malas de cabine que acabam retiradas à porta de embarque para seguirem para o porão. Nesses casos, as autoridades recomendam que as baterias de lítio sobressalentes e os power banks sejam retirados da mala e fiquem com o passageiro na cabine.
Limites de potência e quantidade
As orientações internacionais de aviação continuam a estabelecer limites para o transporte destas baterias. De forma geral, power banks até 100 Wh são permitidos na cabine. Entre 101 e 160 Wh, o transporte só é possível com autorização prévia da companhia aérea e em quantidade limitada, de acordo com a mesma fonte. Equipamentos acima de 160 Wh são considerados carga perigosa e não podem viajar em aviões de passageiros.
As recomendações internacionais indicam ainda que cada passageiro não deve transportar mais do que duas baterias adicionais deste tipo.
O risco está na própria bateria
A razão para estas restrições está na elevada densidade energética das baterias de lítio. Se forem danificadas, sobreaquecidas ou sofrerem curto-circuito, podem desencadear uma reação em cadeia que gera calor intenso, fumo e até fogo.
Este cenário é particularmente sensível na aviação. Um incêndio provocado por uma bateria no porão pode ser difícil de detetar e controlar durante o voo, o que explica a exigência de que estes equipamentos permaneçam na cabine.
Companhias estão a apertar as regras
Além das normas gerais de segurança aérea, várias companhias decidiram reforçar as regras dentro da própria cabine. Algumas transportadoras passaram a limitar o número de power banks permitidos por passageiro e a proibir o seu carregamento durante o voo.
Há ainda empresas que recomendam que estes dispositivos não sejam guardados nos compartimentos superiores, para permitir uma deteção mais rápida em caso de problema, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Estas decisões mostram que, embora a legislação base se mantenha semelhante, a forma como as companhias aplicam as regras está a tornar-se cada vez mais rigorosa.
O que convém fazer antes de embarcar
Antes de viajar, o mais prudente é confirmar a potência do power bank, normalmente indicada em watt-hora (Wh), e verificar as regras específicas da companhia aérea. De acordo com o Washington Post, também é aconselhável transportar o dispositivo protegido contra curto-circuitos, por exemplo numa bolsa própria ou com os terminais isolados, evitando o contacto com objetos metálicos.
Na prática, a regra é simples: power banks não podem seguir no porão do avião e devem viajar sempre na bagagem de mão. Ignorar este detalhe pode resultar na retenção da mala ou em problemas no embarque.
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