Portugal mantém 2033 como meta para concluir a ligação ferroviária de alta velocidade entre Porto e Vigo, numa aposta que dá prioridade ao eixo atlântico e promete encurtar a viagem entre as duas cidades para cerca de 50 minutos. Já a ligação entre Lisboa e Madrid continua apontada para 2034, com um tempo estimado de cerca de três horas.
A indicação foi reforçada na XXXVI Cimeira Luso-Espanhola, realizada a 6 de março de 2026, em La Rábida, onde Portugal e Espanha voltaram a sublinhar a importância das ligações ferroviárias transfronteiriças. A posição portuguesa passa por valorizar primeiro a articulação entre Lisboa, Porto e Vigo, num corredor visto como estratégico para o noroeste peninsular.
Segundo a Infraestruturas de Portugal, citada pelo jornal espanhol AS, a implementação da rede de alta velocidade deverá reduzir os tempos de viagem para cerca de 1h15 entre Lisboa e Porto, 50 minutos entre Porto e Vigo e 3 horas entre Lisboa e Madrid.
Porto-Vigo surge como prioridade no corredor atlântico
A ligação entre Porto e Vigo é uma das peças centrais do plano ferroviário português. A expectativa é que este corredor reforce a mobilidade entre o norte de Portugal e a Galiza, aproximando duas áreas urbanas e económicas com forte ligação histórica e comercial.
Com a nova infraestrutura, a viagem entre Vigo e Porto deverá cair de mais de duas horas para apenas cerca de 50 minutos, enquanto o percurso entre Vigo e Lisboa poderá rondar 140 minutos, de acordo com os objetivos divulgados para a futura rede.
A prioridade dada a este eixo representa também uma aposta na centralidade atlântica, numa lógica em que Portugal pretende reforçar a ligação entre as suas principais cidades e o norte de Espanha antes de concluir o eixo direto com Madrid. Esta leitura é compatível com a estratégia apresentada na cimeira e com a forma como o projeto de alta velocidade está enquadrado no planeamento nacional.
Lisboa-Madrid continua com horizonte de 2034
No caso da ligação entre as capitais ibéricas, o calendário mantém-se mais longo. A Comissão Europeia aprovou em outubro de 2025 uma decisão que estabelece marcos para completar a ligação Madrid-Lisboa, prevendo uma viagem de cerca de cinco horas até 2030 e de três horas em alta velocidade até 2034.
O Governo português também reiterou que estão definidas ações concretas para permitir a ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid em 2030, numa fase inicial, evoluindo depois para a solução de alta velocidade completa até 2034.
Isto significa que, apesar de o projeto Madrid-Lisboa continuar a ser uma meta estratégica ibérica e europeia, a ligação Porto-Vigo aparece, neste momento, como o eixo com prazo mais próximo dentro da componente internacional da rede portuguesa.
O que muda no mapa ferroviário
A concretização destas metas poderá alterar de forma profunda a mobilidade no oeste da Península Ibérica. No caso português, a alta velocidade deverá aproximar as principais cidades do país e reforçar a ligação ao mercado espanhol e à rede europeia.
Além da redução dos tempos de viagem, o projeto é visto como uma peça importante na estratégia europeia de transferir parte das deslocações do avião e da estrada para o comboio, um modo de transporte com menores emissões.
Para já, e segundo o AS, a mensagem principal é clara: Portugal aponta 2033 para Porto-Vigo e 2034 para Lisboa-Madrid, com a surpresa de o corredor atlântico surgir à frente da ligação direta entre as duas capitais ibéricas.
















