Em Portugal, o Multibanco faz parte do quotidiano de milhões de pessoas. Levantar dinheiro, pagar serviços ou fazer transferências são gestos rotineiros. Ainda assim, esta utilização frequente não elimina um risco que continua a existir: a possibilidade de algumas caixas automáticas estarem a ser usadas para fins fraudulentos.
De acordo com o Banco de Portugal, as autoridades têm vindo a alertar para esquemas que passam despercebidos à maioria dos utilizadores e que podem resultar no roubo de dados bancários. Em muitos casos, tudo depende de um detalhe físico quase impercetível na própria máquina.
Como funcionam os esquemas mais conhecidos
Uma das técnicas mais comuns é o chamado skimming. Este método baseia‑se na introdução de dispositivos falsos na ranhura do cartão ou sobre o teclado da caixa Multibanco. O objetivo é copiar os dados do cartão e obter o código PIN, permitindo depois a clonagem do cartão e levantamentos ilegais.
Para esse efeito, são usados leitores falsos encaixados na entrada do cartão, teclados sobrepostos que registam cada tecla pressionada e até microcâmaras disfarçadas, colocadas de forma estratégica para captar o código secreto introduzido pelo utilizador. Em regra, estes equipamentos são instalados por períodos curtos, precisamente para reduzir o risco de deteção.
O pormenor que pode servir de alerta
Informações divulgadas pelas forças de segurança e entidades bancárias indicam que o primeiro sinal de suspeita está muitas vezes no aspeto da própria caixa. Uma ranhura do cartão que se mexe, esteja solta ou apresente uma saliência diferente do normal pode indicar a presença de um leitor falso. O mesmo acontece quando o teclado parece mais alto, mal alinhado ou com uma textura pouco habitual.
Há ainda situações em que o cartão entra com mais dificuldade do que o normal, o que pode resultar da colocação de dispositivos no interior da ranhura.
Métodos cada vez mais difíceis de detetar
Nos últimos anos, os grupos criminosos têm recorrido a técnicas mais sofisticadas. A Europol tem alertado para os chamados deep insert skimmers, equipamentos colocados dentro da ranhura do cartão e praticamente invisíveis do exterior. Nestes casos, não existem alterações óbvias na aparência da máquina, sendo a resistência ao inserir o cartão um dos poucos indícios possíveis.
Existem também dispositivos com ligação sem fios, capazes de transmitir os dados recolhidos em tempo real para cúmplices nas proximidades, eliminando a necessidade de regressar ao local para recolher o equipamento.
Situação em Portugal
As autoridades portuguesas têm sinalizado ocorrências em diferentes zonas do país, incluindo grandes centros urbanos e regiões com maior afluência turística. Em muitos episódios, as vítimas só se apercebem do problema dias depois, quando consultam o extrato bancário e identificam movimentos que não reconhecem.
Apesar de Portugal não estar entre os países europeus com maior incidência deste tipo de crime, os registos existentes mostram que estas práticas continuam ativas e associadas a redes organizadas.
Impacto financeiro e contexto europeu
Relatórios europeus indicam que a fraude relacionada com cartões e caixas automáticas continua a provocar perdas significativas todos os anos. Mesmo com a diminuição do uso de dinheiro em numerário, o skimming e técnicas associadas mantêm um impacto relevante no sistema financeiro.
Em Portugal, o Banco de Portugal reconhece a existência de perdas associadas a fraudes com cartões e sublinha a importância da deteção atempada de operações não autorizadas.
Um sinal pequeno com grande importância
Entradas de cartão instáveis, teclados fora do padrão habitual ou dificuldades ao inserir o cartão são detalhes que facilmente passam despercebidos.
No entanto, surgem de forma recorrente nos alertas divulgados pelas autoridades. Estes sinais não confirmam, por si só, a existência de fraude, mas continuam a ser uma das principais pistas de que uma caixa pode não estar nas condições normais de funcionamento.















