Em Portugal, o Multibanco faz parte da rotina diária. Serve para pagar contas, levantar dinheiro, fazer transferências e até carregar o telemóvel. Mas há um risco escondido: algumas máquinas podem estar adulteradas por grupos especializados em fraudes. O detalhe que denuncia o esquema é muitas vezes ignorado pelos utilizadores e pode significar a diferença entre manter a conta segura ou ver o dinheiro desaparecer.
Como funcionam os esquemas
De acordo com a informação partilhada Polícia de Segurança Pública (PSP) e divulada pelo site especializado em lifestyle, Leak, as técnicas mais usadas passam pelo chamado skimming e por alterações físicas na caixa Multibanco. O objetivo é simples: copiar dados dos cartões e registar os códigos PIN.
Entre os métodos mais comuns estão os leitores falsos de cartões, dispositivos que são encaixados na ranhura e copiam a informação magnética. Há também câmaras disfarçadas em molduras ou suportes de folhetos, posicionadas de forma a captar os números introduzidos pelo cliente. Em alguns casos, são aplicados teclados falsos sobre o original, registando cada movimento dos dedos.
Segundo a mesma fonte, o maior sinal de alerta está na aparência da própria máquina. Se a ranhura do cartão ou o teclado parecerem diferentes, soltos ou salientes, a caixa pode estar comprometida. Uma moldura de plástico que se move ao toque ou um teclado mais elevado do que o habitual são indícios claros de adulteração.
Técnicas mais sofisticadas
Nos últimos anos, os criminosos têm recorrido a métodos menos visíveis. A Europol refere a utilização de dispositivos de deep insert skimming, colocados dentro da ranhura do cartão, praticamente invisíveis ao olhar comum. Nestes casos, a única pista pode ser a maior dificuldade em inserir o cartão.
Explica ainda a autoridade europeia que se têm multiplicado os skimmers com ligação Bluetooth, capazes de transmitir os dados em tempo real para cúmplices nas proximidades. Outra técnica é o chamado overlay, em que uma estrutura completa é colocada sobre a máquina, criando a ilusão de ser o Multibanco original.
Casos em Portugal
A PSP e a GNR têm reportado incidentes em Lisboa, Porto e Algarve. Em muitos dos casos as vítimas só perceberam a fraude dias mais tarde, ao verificarem movimentos suspeitos nas suas contas. Estes grupos atuam rapidamente: instalam os equipamentos durante algumas horas e retiram-nos antes de serem detetados.
Como prevenir
Para reduzir o risco, a recomendação das autoridades é observar sempre a máquina antes de utilizar. Se a entrada do cartão ou o teclado parecerem estranhos, deve optar-se por outro Multibanco. Também é aconselhado tapar o teclado ao introduzir o código PIN, puxar ligeiramente a ranhura do cartão para verificar se está firme e dar preferência a caixas instaladas em bancos ou locais movimentados.
Segundo informações do Banco de Portugal, ativar os alertas de movimentos por SMS é outra forma eficaz de detetar operações não autorizadas logo no início.
O impacto financeiro
O relatório mais recente da Europol estima que o skimming em caixas automáticas movimenta centenas de milhões de euros por ano na Europa. Em Portugal, os números oficiais são mais baixos, mas têm vindo a crescer. Em 2024, foram registados vários casos no sul e no norte do país, associados a redes internacionais.
Tal como refere a Leak, um simples detalhe pode, portanto, ser a primeira pista de que uma máquina não é segura. Se a ranhura estiver solta, o teclado parecer fora do normal ou o cartão entrar com dificuldade, é sinal de alerta. A regra repete-se nas recomendações policiais: se algo não parece certo, não se deve usar essa caixa Multibanco.
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