Há um erro recorrente no uso dos radiadores que atravessa fronteiras e rotinas domésticas e que, ao longo do inverno, pode ter um impacto significativo na conta de aquecimento. O problema não está no equipamento, mas num gesto aparentemente lógico: desligar totalmente o aquecimento sempre que se sai de casa por curtos períodos.
Um hábito que sai caro quando o frio aperta
Com os preços da energia em níveis elevados, o termóstato tornou-se um dos comandos mais utilizados no quotidiano. Ajusta-se para cima quando o frio aperta e para baixo sempre que a casa fica vazia, muitas vezes várias vezes ao dia.
De acordo com o Energy Saving Trust, site especializado em eficiência energética, este comportamento pode gerar um consumo superior ao de um sistema mantido de forma mais estável.
Quando o aquecimento é desligado por completo, a temperatura interior começa a cair de forma contínua. Não é apenas o ar que arrefece. As paredes, os pavimentos e o mobiliário acompanham esse processo, perdendo o calor acumulado e aproximando-se gradualmente da temperatura exterior.
Erro começa no regresso a casa
O momento crítico surge no regresso. A sensação de frio leva muitas pessoas a subir o aquecimento para o máximo, à espera de conforto imediato. É precisamente nesta fase que o sistema entra no seu regime mais exigente. Segundo a mesma fonte, voltar a aquecer uma casa fria é uma das operações mais dispendiosas em termos energéticos.
A caldeira ou a bomba de calor não estão apenas a aquecer o ar ambiente. Têm de devolver calor à estrutura do edifício, incluindo paredes, tetos e soalhos. Este processo é lento e prolongado, obrigando o sistema a funcionar durante mais tempo e a consumir mais energia do que se tivesse mantido uma temperatura moderada.
Em edifícios antigos ou com isolamento deficiente, técnicos de energia indicam que o método de ligar e desligar pode aumentar o consumo em dezenas de pontos percentuais ao longo do inverno, criando ciclos de frio e aquecimento intenso que penalizam tanto o conforto como a fatura.
A alternativa passa por ajustes moderados
Evitar extremos é a estratégia mais eficiente. Para ausências inferiores a duas ou três horas, baixar o termóstato um ou dois graus tende a ser mais eficaz do que desligar totalmente o sistema. Manter as zonas de estar em torno dos 19 a 20 graus durante o dia ajuda a conservar o calor acumulado na casa e reduz a necessidade de reaquecimentos intensos.
Termóstatos programáveis e válvulas inteligentes permitem automatizar estes ajustes, reduzindo intervenções manuais e mantendo um perfil de consumo mais regular.
Quando o calor fica preso
Outro fator que contribui para o desperdício é a forma como os radiadores são utilizados no espaço. Cortinas pesadas, sofás encostados ou roupa colocada a secar impedem a circulação do ar quente. O radiador continua a consumir energia, mas o calor não se distribui pela divisão.
Nestas situações, muitas pessoas sobem a temperatura por acreditarem que o sistema é insuficiente, quando na realidade estão apenas a aquecer uma bolsa de ar presa entre o radiador e a mobília.
Manutenção e ventilação fazem a diferença
Radiadores com ar acumulado ou sistemas a funcionar com pressão incorreta perdem eficiência sem sinais evidentes. Uma purga simples e a verificação do manómetro da caldeira podem melhorar o desempenho durante todo o inverno.
Também a ventilação influencia o consumo. Arejar é essencial, mas manter janelas entreabertas durante longos períodos permite que o ar quente tratado escape para o exterior. A prática recomendada passa por abrir totalmente as janelas durante alguns minutos e fechá-las de seguida, preservando o calor das paredes e do mobiliário.
No balanço final, os custos tornam-se claros. Um agregado com uma fatura anual de aquecimento de cerca de 1.400 euros pode ver o valor aumentar em várias centenas de euros devido a hábitos como o liga e desliga frequente, radiadores bloqueados e temperaturas excessivas.
Segundo o Energy Saving Trust, para reduzir despesas e garantir conforto mais uniforme ao longo do inverno, pequenas mudanças de rotina continuam a ser uma das soluções mais eficazes.
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