O preço dos combustíveis em Espanha está a chamar a atenção na Alemanha e a comparação está a ser feita em tom de espanto. O tema foi noticiado pelo HuffPost, que dá conta do destaque dado pelo jornal alemão Bild aos valores praticados nas bombas espanholas, bastante mais baixos do que os registados na Alemanha. Na peça, essa diferença surge associada às medidas adotadas pelo Governo espanhol sobre os carburantes.
Segundo a publicação, que recupera o que foi escrito pelo Bild, o preço médio do gasóleo nas gasolineiras alemãs terá atingido os 2,50 euros por litro, enquanto a gasolina premium sem chumbo chegou aos 2,29 euros. É neste contexto que o diário alemão vira atenções para Espanha, onde encontrou valores bastante mais baixos. Num dos exemplos citados, um repórter do jornal abasteceu em Son Servera, na ilha de Maiorca, a 1,988 euros por litro de gasóleo, enquanto a gasolina super sem chumbo custava 1,628 euros por litro na mesma estação de serviço.
Maiorca surgiu como exemplo da diferença de preços
A reportagem usa Maiorca como um retrato concreto da distância entre os dois mercados. De acordo com o jornal citado, a diferença entre o preço então observado em Espanha e a média alemã chegava aos 67 cêntimos por litro, um contraste suficientemente expressivo para transformar um abastecimento banal num argumento político e mediático.
Um político alemão aproveitou a viagem para lançar um recado
Noutra das peças referidas, Wolfgang Kubicki, político alemão do FDP, relatou ter abastecido gasolina premium a 1,55 euros por litro em Maiorca. O Bild acrescenta que o responsável enviou uma fotografia para comprovar o valor pago e comparou-o com os preços praticados em Kiel, a sua cidade natal, onde o mesmo combustível custava entre 2,19 e 2,24 euros por litro.
Segundo o jornal alemão, a diferença podia chegar aos 69 cêntimos por litro. Num depósito de 60 litros, isso representaria uma poupança de 41,40 euros. A comparação foi depois usada para defender que também a Alemanha poderia aliviar rapidamente o custo dos combustíveis através de uma decisão fiscal.
E em Portugal?
Em Portugal, o enquadramento tem seguido outra via. A taxa normal de IVA no continente mantém-se nos 23%, enquanto o Governo tem recorrido a reduções temporárias do ISP para mitigar subidas mais acentuadas. Num comunicado oficial divulgado em março, o Executivo indicou que a poupança real então estimada seria de 1,7 cêntimos por litro na gasolina e de 3,2 cêntimos no gasóleo, acumulando um alívio de 5,1 cêntimos na gasolina e 9,4 cêntimos no gasóleo face aos preços praticados na semana de 2 a 6 de março. Já a DGEG indicava esta quarta-feira, 8 de abril, um preço médio diário de 1,914 euros por litro para a gasolina simples 95 no continente.
A descida do IVA em Espanha entrou no centro do debate
Nas declarações reproduzidas nessas peças, Wolfgang Kubicki defende que baixar o imposto sobre os combustíveis seria uma medida simples e eficaz. Citado pelo jornal, o político alemão resume essa ideia numa frase direta: ‘Com um simples decreto governamental, os impostos foram reduzidos’. Para sustentar o argumento, aponta para o caso espanhol, apresentado como exemplo de uma intervenção com efeitos imediatos no preço pago pelos consumidores.
Segundo a mesma publicação, o Governo de Espanha aprovou em março um decreto-lei que incluía a redução do IVA dos carburantes de 21% para 10%, aplicável à gasolina, ao gasóleo e ao gás. De acordo com a Confederação Espanhola de Empresários de Estações de Serviço, sem esse pacote de ajudas o gasóleo seria 23 cêntimos mais caro por litro e a gasolina custaria mais 29 cêntimos.
Mais do que uma simples comparação entre tabelas de preços, o tema acabou por ganhar dimensão política. A partir de Espanha, o caso passou a ser usado na Alemanha como exemplo de como uma decisão fiscal rápida pode transformar o valor exibido no painel da bomba num argumento de debate interno.
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