As burlas telefónicas continuam a crescer e há uma nova forma de enganar os clientes bancários que já fez várias vítimas. De acordo com as autoridades espanholas, citadas pelo jornal do mesmo país El Periódico, chama-se spoofing e permite aos burlões usar o número real do banco para convencer a vítima a transferir o dinheiro voluntariamente. Em poucos minutos, a conta das vítimas desta burla pode ficar a zero.
O método é simples e eficaz: o criminoso faz uma chamada que, no ecrã do telemóvel, aparece com o número oficial da instituição bancária. A vítima, ao ver o contacto reconhecido, baixa a guarda. Do outro lado, um suposto “funcionário do banco” alerta para movimentos suspeitos e pede uma ação imediata.
Uma história que se repete
Um dos casos citados pelo jornal do país vizinho é o de Miguel Ángel, que se tornou viral nas redes sociais, e é o exemplo mais recente entre as vítimas desta burla. Recebeu uma chamada que parecia ser do seu banco, o ING, e foi convencido a transferir todo o dinheiro para uma alegada “conta protegida”. Seguiu as instruções, introduziu os códigos SMS e, em poucos minutos, perdeu tudo.
Quando tentou reaver o valor, a instituição recusou o reembolso, justificando que todas as transferências tinham sido autorizadas pelo próprio cliente.
O que é o spoofing
O termo vem do inglês to spoof, que significa “enganar” ou “falsificar”. É uma técnica que permite manipular o identificador de chamadas, fazendo parecer que a ligação vem de um número legítimo, muitas vezes, o do próprio banco da vítima.
Com um discurso profissional e um tom de urgência, os burlões criam pânico e convencem a pessoa a “agir depressa”, antes que a conta “seja comprometida”.
Uma burla com aparência de autenticidade
Os burlões recorrem a vocabulário técnico e usam expressões que soam credíveis. Falam em “contas seguras”, “verificação de movimentos” ou “bloqueio temporário”. Tudo serve para ganhar tempo e confiança até que o cliente autorize as transferências.
A grande armadilha desta burla é que não há roubo direto de senhas ou acessos, são as próprias vítimas que executam as transferências, convencidas de que estão a proteger o seu dinheiro.
As recomendações da polícia
Os Mossos d’Esquadra e a Polícia Nacional (em Espanha) já emitiram alertas sobre este esquema, que também começa a circular em Portugal. As autoridades recomendam:
- Nunca confiar numa chamada só porque mostra o número do banco.
- Desligar imediatamente e ligar de volta para o número oficial da instituição.
- Nunca partilhar códigos SMS, palavras-passe ou dados de acesso.
- Desconfiar de mensagens de urgência ou de tom alarmista.
As forças policiais reforçam que nenhum banco pede transferências por telefone, nem solicita códigos de autenticação fora da app ou do site oficial.
Bancos reforçam segurança
Alguns dos principais bancos portugueses confirmam que nunca contactam clientes para pedir transferências ou códigos. Certos, como o Millennium bcp e o Santander, têm vindo a enviar alertas através de notificações e SMS a avisar os clientes para não confiarem em chamadas inesperadas.
As instituições bancárias aconselham ainda a ativar a autenticação biométrica e a verificar regularmente os movimentos da conta através da aplicação oficial.
Quando há responsabilidade partilhada
A lei portuguesa prevê que os bancos devem garantir a segurança dos sistemas de pagamento, mas se a operação tiver sido autorizada pelo cliente, ainda que sob engano, o reembolso pode ser recusado. Por isso, as autoridades sublinham que a prevenção é essencial.
O conselho mais importante
Segundo o El Periódico, a recomendação final dos peritos é clara: “Desconfie, desligue e confirme.” Perder um minuto a verificar uma chamada pode evitar perder todas as poupanças de uma vida.
Num cenário em que as burlas digitais se tornam cada vez mais sofisticadas, a dúvida é a melhor defesa.
















