Guardar algum dinheiro ao fim do mês nem sempre é fácil. Entre as despesas da casa e os imprevistos, a poupança para os anos da reforma vai sendo feita à medida das possibilidades, com uma preocupação concreta: ter com que viver quando o salário deixar de entrar. Em relação a este aspeto, Elon Musk, fundador e CEO da Tesla, tem uma palavra a dizer.
Elon Musk acredita que esse esforço poderá perder a razão de ser.
Segundo a revista especializada em economia Business Insider, num artigo publicado a 15 de janeiro, o empresário prevê um futuro em que a tecnologia tornará desnecessário acumular dinheiro para a reforma.
Previsão para daqui a 10 ou 20 anos
“Não se preocupem em guardar dinheiro para a reforma daqui a 10 ou 20 anos. Isso não vai importar”, afirmou no podcast Moonshots with Peter Diamandis, num episódio publicado em janeiro.
O responsável pela Tesla e pela SpaceX associou essa previsão aos avanços da inteligência artificial, da robótica e da energia.
Na sua perspetiva, estas tecnologias permitirão produzir muito mais e colocar bens e serviços ao alcance de todos.
Mais produção e preços mais baixos
Durante a conversa, Musk explicou que espera uma descida dos preços à medida que aumenta a eficiência da produção. Nesse cenário, satisfazer as necessidades quotidianas exigiria menos dinheiro.
A ideia foi discutida no âmbito de um futuro de abundância, mas o próprio empresário reconheceu que ainda não tinha todas as respostas sobre o seu funcionamento.
O próprio Musk admite dificuldades pelo caminho
O empresário também antecipou uma transição marcada por mudanças profundas e instabilidade social. A prosperidade que imagina poderia, segundo a sua previsão, coexistir com um período difícil de adaptação.
Outra preocupação levantada foi a perda de propósito num mundo onde o emprego deixasse de ter a importância atual.
Especialistas contestam a mensagem sobre poupanças
A Business Insider ouviu sete especialistas em finanças pessoais e inteligência artificial. Geoffrey Sanzenbacher, investigador do Boston College, considerou a mensagem perigosa e enganadora, questionando o prazo apontado por Musk.
Olivia Mitchell, especialista em pensões da Wharton, admitiu possíveis ganhos de produtividade, mas alertou que os benefícios poderão ser desiguais e incertos.
Distribuição da riqueza é uma questão central
Segundo a mesma publicação, Ekaterina Abramova, professora da London Business School, salientou que a prosperidade generalizada dependeria de decisões políticas sobre a distribuição dos ganhos tecnológicos. A evolução da IA, por si só, não eliminaria a necessidade de poupar.
Uma hipótese que depende de várias condições
Na entrevista, Elon Musk condicionou o desaparecimento da necessidade de poupança à concretização das previsões discutidas. O horizonte de 10 ou 20 anos representa, assim, a sua expectativa sobre a transformação da economia.
Entre essa expectativa e o momento de deixar de trabalhar permanece uma diferença concreta: as despesas da reforma terão de ser pagas, mesmo que a tecnologia avance a um ritmo diferente do previsto.















