Começou no Reino Unido o julgamento de um consultor fiscal e imobiliário acusado de ter burlado milhões de euros a reformados que queriam comprar casa em Espanha ou proteger as poupanças de uma vida. O caso envolve alegadas fraudes cometidas entre 2014 e 2018 e está a ser apresentado pela acusação como um exemplo claro de ganância.
No centro do processo está Raymond Simpson, de 78 anos, acusado de desviar dinheiro de idosos que confiaram nele e no seu sócio, Steve Long, para salvaguardar património e evitar custos associados a lares ou ao imposto sucessório.
Segundo a acusação, citada pelo portal espanhol HuffPost, os lesados pensavam estar a entregar o dinheiro a profissionais que protegeriam as suas poupanças, mas acabaram por financiar negócios falidos, investimentos considerados demasiado bons para serem verdadeiros e ainda a compra de terrenos em Espanha.
Milhões alegadamente desviados de poupanças de uma vida
De acordo com a informação avançada, os reformados terão canalizado, sem o saberem, cerca de 11,5 milhões de libras para sustentar os projetos dos dois arguidos.
Ao câmbio referido na notícia, esse valor corresponde a cerca de 13,2 milhões de euros, uma verba que, segundo o Ministério Público, saiu diretamente de heranças e poupanças acumuladas ao longo de décadas.
A procuradora Charlene Sumnall afirmou em tribunal que este é, no essencial, um caso de avareza, sustentando que os arguidos tentaram enriquecer com dinheiro que não lhes pertencia.
“Estou farto de ser pobre” marca o julgamento
Um dos elementos que mais está a marcar o processo é uma mensagem atribuída a Raymond Simpson, enviada ao sócio Steve Long em novembro de 2016.
Nessa troca de mensagens, o arguido terá escrito que estava farto de ser pobre, frase que a acusação usa agora para ilustrar o alegado motivo por detrás do esquema.
Para o Ministério Público, o dinheiro posto em causa pertencia a pensionistas que confiaram nos dois homens e acabou por ser colocado em risco para benefício próprio.
Acusação fala em heranças que desapareceram
Durante a abertura do julgamento, a procuradora insistiu no impacto humano do caso, sublinhando que estavam em causa dezenas de milhares de libras e, em alguns casos, centenas de milhares.
Segundo a acusação, desapareceram heranças e poupanças de uma vida inteira, deixando vítimas idosas perante perdas muito elevadas.
A mesma responsável defendeu ainda que os dois homens jogaram com dinheiro de pensionistas, usando esses fundos para tentar enriquecer à custa de pessoas particularmente vulneráveis.
Um arguido admitiu fraude, outro nega tudo
Steve Long, de 59 anos, já admitiu dois crimes de fraude, segundo a informação conhecida.
Já Raymond Simpson não esteve presente no primeiro dia do julgamento e continua a negar as acusações que lhe são imputadas.
O processo deverá prolongar-se durante cerca de quatro semanas. Até lá, o tribunal britânico terá de avaliar se ficou provado que milhões de euros foram desviados de reformados que procuravam segurança financeira e acabaram, alegadamente, apanhados num esquema de grande dimensão.
















