Com a aquisição de 50% do Acqua Portimão por 60 milhões de euros, o Algarve integrou o grupo das principais operações do imobiliário português no segundo trimestre de 2026, num semestre em que o investimento nacional atingiu 1,4 mil milhões de euros.
O volume investido em Portugal entre janeiro e junho cresceu 11% face ao mesmo período de 2025. Ainda assim, o segundo trimestre registou uma quebra homóloga de 18%, para 462 milhões de euros, revela o mais recente Dils Recap, divulgado a 29 de julho.
O capital estrangeiro representou 76% do montante transacionado entre abril e junho, confirmando o peso dos investidores internacionais nas operações de maior dimensão. Mais de 80% do investimento concentrou-se nas estratégias classificadas como core e core plus, embora tenham ganhado relevância as abordagens value add e opportunistic.
“O segundo trimestre confirma a resiliência do mercado imobiliário português. Apesar da redução pontual do volume transacionado, o investimento atingiu 1,4 mil milhões de euros no primeiro semestre, mais 11% do que no mesmo período de 2025, num contexto internacional de maior incerteza”, afirmou Pedro Lancastre, CEO da Dils Portugal.
“O peso do capital estrangeiro nas maiores operações demonstra que Portugal continua a ser reconhecido como um mercado competitivo e com fundamentais sólidos”, acrescentou.
Operação em Portimão entre as principais transações
A hotelaria e o segmento industrial e logístico foram os que mais atraíram capital no segundo trimestre, concentrando, respetivamente, 36% e 26% do investimento.
No caso da hotelaria, o montante aplicado durante os primeiros seis meses de 2026 já ultrapassou os volumes anuais registados em 2024 e 2025, impulsionado por várias operações de grande dimensão.
Entre as principais transações identificadas no relatório encontra-se a aquisição de 50% do Acqua Portimão por 60 milhões de euros.
A lista inclui também a compra de 72% do Corinthia Lisboa Hotel por 150 milhões de euros, a venda de oito ativos do Project Nau por 90 milhões, a transação do edifício Triunfo por um valor situado entre 20 e 25 milhões e a venda do Santiago de Alfama Boutique Hotel por 22 milhões.
Pedro Lancastre destacou que a hotelaria e o setor industrial e logístico continuam a captar investimento, apoiados pela procura e pelo desempenho dos ativos. Já os escritórios permanecem numa fase de maior incerteza quanto à definição dos valores de mercado.
Algarve tem o preço médio diário por quarto mais elevado
O Algarve manteve um desempenho positivo na hotelaria e apresentou o preço médio diário por quarto mais elevado entre os principais destinos turísticos nacionais.
O indicador atingiu 195 euros, mais 3% do que no período anterior considerado no relatório, enquanto o RevPAR se fixou em 116 euros. A taxa de ocupação hoteleira da região foi de 59%.
Em Lisboa, a ocupação atingiu 72% e o preço médio diário por quarto situou-se em 176 euros. No Porto, os valores foram de 69% e 132 euros, respetivamente.
A nível nacional, a oferta hoteleira aumentou em 2.114 quartos durante o primeiro semestre e encontravam-se em construção mais 7.420. Cerca de metade da nova capacidade prevista concentra-se nos segmentos upper upscale e upscale, associados a unidades de posicionamento superior.
A procura turística cresceu 2%, totalizando 82 milhões de dormidas nos 12 meses terminados em maio de 2026. O Reino Unido, a Alemanha e os Estados Unidos continuam a ser os principais mercados emissores.
Entre estes, os Estados Unidos registaram o maior crescimento, de 6%, seguindo-se a Alemanha, com uma subida de 5%.
Tavira mantém procura robusta e Vilamoura acumula oferta
No mercado residencial, o Algarve continua dinâmico, mas apresenta uma crescente divisão entre os segmentos de entrada e os imóveis de gama superior, ao mesmo tempo que surgem sinais de abrandamento nas faixas de preço intermédias.
O Sotavento mantém uma procura considerada robusta, com particular destaque para o concelho de Tavira.
Em Vilamoura, pelo contrário, começa a verificar-se uma acumulação de imóveis com valores superiores a 500 mil euros. A entrada de nova oferta não tem provocado uma descida dos preços, mas está a prolongar o tempo necessário para concretizar as vendas.
O relatório assinala ainda a escassez de habitação destinada a residência permanente da classe média no Algarve, relacionando-a com a aposta da maioria dos promotores em empreendimentos de gama alta e premium, frequentemente orientados para segunda habitação.
No conjunto do país, o número de fogos licenciados e concluídos terá crescido cerca de 3% no primeiro semestre. A oferta continua, porém, abaixo da procura, existindo apenas uma habitação concluída por cada seis unidades vendidas.
Os preços residenciais terão aumentado 17,8% face ao mesmo período de 2025 e 3,8% em comparação com o trimestre anterior.
Apesar de o número de casas transacionadas ter diminuído no primeiro trimestre, o valor global das vendas manteve uma trajetória de crescimento.
Logística recupera e escritórios continuam em níveis baixos
O setor industrial e logístico registou uma recuperação expressiva entre abril e junho, com uma absorção de 134 mil metros quadrados, mais do dobro da verificada no trimestre anterior.
A procura foi sobretudo impulsionada pela mudança de empresas para instalações de nova geração, com melhores condições técnicas e maior capacidade para responder às atuais exigências operacionais.
Apesar da recuperação trimestral, a área ocupada no primeiro semestre ficou cerca de 7% abaixo da registada no período homólogo de 2025, situação atribuída à falta de espaços com as características procuradas pelas empresas.
No retalho, o investimento atingiu 77 milhões de euros no segundo trimestre e cerca de 417 milhões no conjunto do semestre, embora este último valor represente uma quebra de 30% face ao mesmo período do ano anterior.
Os parques comerciais concentram a maior parte da nova oferta em desenvolvimento, com mais de 77 mil metros quadrados previstos. As rendas mantiveram-se estáveis nos principais segmentos.
Já os escritórios receberam apenas 21,7 milhões de euros no segundo trimestre, um dos valores trimestrais mais baixos dos últimos anos. No acumulado dos primeiros seis meses, o investimento somou 62,2 milhões de euros, mantendo-se abaixo dos níveis históricos.
A ocupação de escritórios atingiu 38.050 metros quadrados em Lisboa, mais 25% do que no primeiro trimestre. No Porto, foram ocupados 12.366 metros quadrados, numa subida trimestral de 64%.
As taxas de rentabilidade dos investimentos imobiliários mantiveram-se estáveis durante o segundo trimestre. Para a Dils, esta evolução demonstra confiança no mercado, embora acompanhada por uma análise mais exigente da qualidade dos ativos, da segurança dos rendimentos e do potencial de valorização.
A.Pinto / HDF
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