As marcas pintadas no pavimento, como os círculos brancos, ajudam os condutores a perceber por onde devem circular e a antecipar situações de perigo. Algumas soluções menos habituais procuram corrigir comportamentos que aumentam o risco de acidente, sobretudo nas curvas, onde a velocidade e a posição do veículo exigem atenção redobrada.
É o caso dos círculos brancos utilizados em experiências de segurança rodoviária em Espanha. Pensados especialmente para motociclistas, funcionam como uma referência visual para afastar a trajetória da mota do trânsito em sentido contrário, de acordo com o jornal digital espanhol Noticias Trabajo.
Uma referência junto à linha central
Estas marcas são colocadas junto ao eixo que separa os dois sentidos de circulação, em determinadas curvas.
O objetivo é que o motociclista evite passar sobre os círculos, mantendo uma trajetória mais afastada da linha central e uma margem de segurança relativamente aos veículos que se aproximam de frente.
Perigo pode estar na posição do corpo
Nas curvas à esquerda, a inclinação da mota pode levar a cabeça e o tronco do condutor a entrar no espaço do sentido contrário, mesmo quando as rodas permanecem do seu lado da estrada.
Segundo o KFV, organismo austríaco de segurança rodoviária, este posicionamento pode provocar uma colisão ou obrigar a uma manobra de emergência. As marcas procuram influenciar a trajetória antes de o motociclista se encontrar nessa situação.
Catalunha já realizou experiências
Em Espanha, os testes incluem iniciativas do Servei Català de Trànsit. De acordo com a Infobae, houve uma primeira experiência em 2019 na estrada BV-2115, junto à albufeira de Foix. Em 2025, os ensaios foram alargados a troços da N-260 e da B-124.
A mesma publicação esclarece que estas experiências não correspondem a uma aplicação generalizada dos círculos pela Direção-Geral de Trânsito espanhola (DGT) em toda a rede rodoviária. São intervenções em locais específicos para avaliar o efeito das marcas na condução dos motociclistas.
De onde vem a redução de 80% dos acidentes?
O resultado referido no artigo tem origem numa experiência austríaca. Numa análise divulgada em julho de 2024, o KFV explicou que foram instaladas marcas em forma de elipse em 19 curvas consideradas perigosas no Tirol, em 2019.
Entre julho de 2019 e o final de 2021, registaram-se quatro acidentes de motociclo com vítimas nesses locais. O organismo calculou uma redução de 80% na comparação anterior e posterior à intervenção. O valor diz respeito às curvas estudadas, não à totalidade dos acidentes na Áustria ou em Espanha.
Estas marcas vão chegar a Portugal?
Não foi encontrada confirmação oficial de um programa de aplicação destes círculos brancos nas estradas portuguesas. Por isso, a experiência espanhola não permite anunciar a chegada da medida a Portugal nem uma alteração das regras nacionais de circulação.
Para os motociclistas portugueses que viajem em Espanha, conhecer a função destas marcas pode ajudar a interpretar os troços onde foram instaladas, mantendo a atenção à restante sinalização.
O que já exige o Código da Estrada português?
Em Portugal, o artigo 25.º do Código da Estrada determina que os condutores devem moderar especialmente a velocidade nas curvas e noutros locais de visibilidade reduzida. A obrigação aplica-se mesmo quando circulam abaixo do limite máximo permitido.
O artigo 24.º exige ainda que a velocidade seja ajustada ao estado da estrada, às condições meteorológicas e ao trânsito, permitindo parar no espaço livre e visível à frente.
Já o artigo 13.º estabelece a circulação pelo lado direito, conservando uma distância suficiente das bermas para evitar acidentes.
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