Ao comprar um carro usado, muitos olham apenas para o número no conta-quilómetros, mas afinal qual é a quilometragem considerada ideal para garantir uma compra segura? Especialistas citados pelo jornal espanhol especializado em auto El Motor apontam que um intervalo entre os 60 mil e os 120 mil quilómetros é, na maioria dos casos, o ponto de equilíbrio entre desgaste aceitável e fiabilidade. No entanto, o estado geral do carro, o tipo de utilização e o histórico de manutenção são tão ou mais importantes do que os quilómetros registados.
Menos quilómetros nem sempre é melhor
É comum pensar que quanto menos quilómetros, melhor. Mas essa ideia pode ser enganadora. Um carro que passou anos parado pode esconder problemas sérios em componentes de borracha e nos sistemas de refrigeração, travagem ou lubrificação. Por outro lado, um veículo com quilometragem elevada mas com manutenção rigorosa pode ainda oferecer muitos anos de utilização segura.
Entre dois carros semelhantes, deve privilegiar-se aquele com histórico de manutenções comprovado, mesmo que tenha mais quilómetros. Pequenas diferenças, como 10 ou 20 mil, são secundárias quando o estado do carro é claramente superior, refere a mesma fonte.
Perigo dos carros parados demasiado tempo
O uso contínuo preserva melhor certas peças do que a imobilização prolongada. Juntas, retenções, correias ou mangueiras ressecam com o tempo se o carro estiver parado, mesmo que tenha poucos quilómetros. Por isso, carros com quilometragem anormalmente baixa devem ser verificados com atenção redobrada.
Também conta o tipo de condução. Quilómetros feitos em autoestrada desgastam menos do que os feitos em cidade. Um carro rural com mais quilómetros pode estar em melhor estado do que um citadino com metade do uso, mas sujeito a arranques constantes, buracos e paragens bruscas.
Qual o intervalo mais seguro?
O ideal, segundo vários técnicos citados pela mesma fonte, é procurar um carro com entre 60 mil e 120 mil quilómetros, com manutenções comprovadas e sem acidentes. Fora desse intervalo, o risco aumenta: abaixo, pelo possível desuso; acima, pela proximidade de avarias dispendiosas.
Há também que considerar o uso médio anual de um carro: entre 12 mil e 15 mil quilómetros. Um veículo com cinco anos deverá ter cerca de 75 mil quilómetros. Mais que isso pode indicar uso intensivo; menos, possível inatividade.
O que verificar antes de comprar
Um carro usado com mais de 150 mil quilómetros entra numa fase de maior propensão para avarias. Não é, à partida, uma má compra, mas exige que o comprador tenha margem financeira para reparações imprevistas. É igualmente importante, segundo a mesma fonte, verificar se o carro teve acidentes anteriores, pois os danos estruturais podem comprometer a segurança, mesmo que tenham sido reparados.
A revisão antes da compra de um carro usado é indispensável. Óleo escuro, correias rachadas ou líquidos sujos indicam manutenção negligente. Esses sinais devem ser levados a sério, pois são reflexo de desgaste oculto.
Relatórios e histórico: a chave da confiança
O registo de inspeções periódicas pode ser um bom indicador da regularidade de uso e da fiabilidade do conta-quilómetros, refere o El Motor.
No final, não se trata apenas de encontrar um carro com “poucos quilómetros”, mas de identificar um veículo bem cuidado, com utilização regular e com registo transparente.
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