Os alertas sobre uma alegada multa de estacionamento por pagar estão a multiplicar-se por SMS e e-mail, mas nem sempre vêm de quem dizem vir. Em Portugal, tem sido reportada uma mensagem que usa o nome e a imagem de entidades públicas para induzir os condutores a pagar uma multa inexistente, levando-os a páginas falsas onde são pedidos dados pessoais e bancários. O objetivo é simples: enganar através do medo e da urgência.
Segundo o Pplware, site especializado em tecnologia e atualidade, estas campanhas recorrem a técnicas clássicas de phishing e smishing, adaptadas ao contexto rodoviário, aproveitando a familiaridade dos cidadãos com notificações de trânsito e a desconfiança de possíveis sanções.
Mensagens parecem oficiais e criam um falso sentido de urgência
O esquema começa com uma mensagem curta e direta. O texto fala numa infração registada, indica um valor a pagar e inclui um link para “regularizar” a situação. Em alguns casos, é mencionado um prazo reduzido ou a ameaça de agravamento da coima, o que aumenta a pressão psicológica sobre o destinatário.

De acordo com a mesma fonte, os burlões copiam logótipos, linguagem institucional e até assinaturas digitais para dar credibilidade à mensagem. O remetente surge identificado como uma entidade pública ligada ao trânsito, levando muitos condutores a assumir que a comunicação é legítima.

O link leva a páginas falsas quase indistinguíveis das verdadeiras
Ao clicar no endereço incluído na mensagem, o utilizador é encaminhado para um site que imita portais oficiais do Estado. A aparência é cuidada, com cores, símbolos e formulários semelhantes aos usados por serviços públicos. É neste momento que surge o pedido de dados pessoais, número de contribuinte, informações do cartão bancário ou credenciais de acesso.
Segundo explica a mesma fonte, estas páginas não pertencem a nenhuma entidade pública e servem apenas para recolher informação sensível, que pode depois ser usada para roubos diretos ou outras fraudes.
Como funcionam as notificações verdadeiras de multas em Portugal
Em Portugal, as notificações de contraordenações rodoviárias seguem regras específicas. As coimas não são comunicadas por SMS com links de pagamento imediato. As notificações são enviadas por correio postal ou através dos canais oficiais, como a morada eletrónica associada ao portal das Finanças, quando aplicável.
A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) tem alertado que não solicita pagamentos por links enviados por mensagem nem pede dados bancários por e-mail ou SMS. Qualquer comunicação que o faça deve ser vista com desconfiança.
O que deve fazer se receber uma destas mensagens
Se receber uma mensagem a indicar uma multa pendente, a recomendação é clara. Não clique em links, não faça pagamentos e não forneça qualquer dado pessoal. O passo seguinte deve ser confirmar a situação através dos canais oficiais, contactando diretamente a entidade referida na mensagem.
No caso da ANSR, os contactos oficiais continuam a ser o telefone 214 236 800 e o endereço eletrónico institucional. A verificação direta permite esclarecer rapidamente se existe ou não qualquer processo em seu nome.
Já clicou ou forneceu dados? Atue de imediato
Quem já tenha introduzido dados ou efetuado algum pagamento deve contactar de imediato o banco para bloquear cartões ou transações suspeitas. É igualmente importante apresentar queixa junto das autoridades, para que o caso seja registado e investigado.
De acordo com o Pplware, a rapidez na reação pode fazer a diferença entre um susto e um prejuízo financeiro significativo, sobretudo quando estão em causa acessos a contas bancárias ou dados de identificação pessoal.
Desconfiar é a melhor forma de prevenção
Estas burlas exploram o medo de multas e sanções, mas seguem padrões conhecidos. Mensagens não solicitadas, pedidos de pagamento urgente e links externos são sinais de alerta que não devem ser ignorados.
Num contexto em que a digitalização dos serviços públicos avança, a literacia digital torna-se essencial. Confirmar sempre a origem das comunicações e recorrer apenas a canais oficiais continua a ser a forma mais eficaz de evitar cair neste tipo de esquemas.
Leia também: Afinal, quem paga o IUC quando o carro muda de dono a meio do ano? Este detalhe pode pesar no seu ‘bolso’
















