Um conselho inesperado, dado em televisão nacional em Espanha, está a circular nas redes: um inspetor da Polícia Nacional defendeu que um torniquete devia fazer parte do porta-bagagens “de todos”, desde que a pessoa saiba utilizá-lo, por poder ser decisivo numa emergência grave.
O alerta foi deixado por Pelayo Gayol, inspetor com mais de 20 anos de carreira, convidado do programa ‘La revuelta’ (RTVE) na emissão de 7 de janeiro de 2026, no regresso do formato após a pausa de Natal.
Gayol esteve no programa para divulgar os seus projetos audiovisuais ligados ao universo operacional, incluindo trabalhos disponíveis na Prime Video, e acabou por abrir um tema muito prático: o que vale a pena ter “sempre” no carro.
O objeto “surpresa” no porta-bagagens
Durante a conversa com David Broncano, o inspetor explicou que certos itens não andam nos bolsos, ficam guardados no veículo, e foi aí que deixou o conselho que apanhou o estúdio desprevenido: um torniquete.
A recomendação veio com uma condição importante: o torniquete pode ser útil se a pessoa souber como funciona e como aplicá-lo, porque não se trata de um acessório “intuitivo” nem apropriado para qualquer ferimento.
O momento foi destacado pelo portal espanhol El Motor, sublinhando precisamente o contraste entre o caráter inesperado do item e a sua potencial relevância em cenários críticos.
Para que serve um torniquete (e por que exige cuidado)
Um torniquete é um dispositivo de controlo de hemorragias em membros (braços e pernas), usado para comprimir vasos sanguíneos e ajudar a travar hemorragias externas graves quando a pressão direta não é suficiente ou não é possível.
Guias clínicos e literatura de emergência reforçam que a aplicação deve ser criteriosa: deve usar-se a pressão necessária para parar a hemorragia, minimizando complicações associadas à isquemia.
Um documento de referência em contexto de emergência descreve cenários em que o torniquete é recomendado (por exemplo, hemorragia externa grave numa extremidade quando a compressão direta não controla a perda de sangue) e apresenta passos de aplicação.
E em Portugal: o que é obrigatório e o que é recomendável
Independentemente do debate sobre “kits avançados”, em Portugal há itens básicos que continuam a ser essenciais e são frequentemente lembrados por entidades nacionais: triângulo de pré-sinalização e colete retrorrefletor (com regras de utilização e coimas associadas).
O ACP, por exemplo, sublinha a obrigatoriedade do colete e do triângulo (com exceções específicas) e remete para normas aplicáveis ao equipamento retrorrefletor, reforçando que não é apenas “ter no carro”, é ter material conforme.
Já a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária recorda que o colete é de uso obrigatório em determinadas situações e que o triângulo é fundamental em caso de imobilização do veículo na via/berma ou perda de carga.
A conclusão prática: “ter” não chega, é preciso saber usar
Segundo o El Motor, a ideia deixada pelo polícia Pelayo Gayol encaixa numa lógica simples: um porta-bagagens preparado pode fazer diferença numa emergência, mas um torniquete só faz sentido com conhecimento mínimo e como complemento a medidas imediatas, pedir ajuda e seguir procedimentos de socorro.
No fim, o conselho tem menos a ver com “modas” e mais com preparação: manter o obrigatório em dia e, se optar por acrescentar itens de primeiros socorros mais sensíveis, garantir que sabe utilizá-los corretamente.
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