Um sistema obrigatório instalado em todos os automóveis novos vendidos na União Europeia desde 2014 pode, em determinadas circunstâncias, ser utilizado para rastrear veículos à distância. A conclusão resulta de um estudo académico que alerta para vulnerabilidades nos sistemas de monitorização da pressão dos pneus, conhecidos como TPMS.
De acordo com o Notícias ao Minuto, que cita uma investigação do IMDEA Networks Institute, estes sensores transmitem sinais sem fios com um identificador único para a unidade eletrónica do veículo. O problema, segundo os investigadores, reside no facto de essas transmissões não serem encriptadas.
O que são os TPMS e porque são obrigatórios
Os sistemas de monitorização da pressão dos pneus tornaram-se obrigatórios nos automóveis de passageiros novos na União Europeia a partir de novembro de 2014. O objetivo é reforçar a segurança rodoviária, alertando o condutor sempre que a pressão de um dos pneus esteja abaixo do recomendado.
Segundo explica o Notícias ao Minuto, estes sistemas ajudam a prevenir acidentes, reduzir consumos de combustível e evitar desgaste prematuro dos pneus. Funcionam através de sensores instalados nas rodas, que enviam dados para a central eletrónica do veículo.
Contudo, de acordo com o estudo citado pela mesma publicação, cada sensor transmite um número de identificação único, que permite distinguir um veículo de outro. Essa característica, essencial para o funcionamento do sistema, pode também abrir espaço a utilizações indevidas.
Como pode ocorrer o rastreio
A investigação decorreu durante dez semanas e recolheu cerca de seis milhões de sinais wireless provenientes de mais de 20 mil automóveis. Segundo o IMDEA Networks Institute, o objetivo não era comprometer o funcionamento dos veículos, mas analisar o potencial de recolha de dados através das transmissões dos TPMS.
De acordo com o Notícias ao Minuto, os investigadores concluíram que qualquer pessoa com um recetor de rádio relativamente simples pode captar estes sinais a distâncias superiores a 50 metros. As transmissões podem atravessar paredes e ser intercetadas mesmo quando o veículo está dentro de um edifício.
Domenico Giustiniano, professor no IMDEA Networks, afirmou, citado pela mesma fonte, que uma rede de recetores sem fios de baixo custo poderia monitorizar padrões de circulação de veículos em ambientes reais. A informação recolhida poderia, em teoria, revelar rotinas diárias, como horários de chegada ao trabalho ou percursos frequentes.
Informação além da localização
Segundo o estudo divulgado e citado pelo Notícias ao Minuto, os sinais dos sensores incluem também dados relativos à pressão dos pneus. A partir desses elementos, poderá ser possível inferir características adicionais do veículo, como o tipo de automóvel ou o nível de carga transportada.
Yago Lizarribar, que participou na investigação, defendeu que os sistemas de monitorização foram concebidos com foco na segurança rodoviária e não na proteção informática.
De acordo com a publicação, o investigador considera necessário reforçar os mecanismos de segurança digital nos futuros sistemas automóveis.
Risco potencial, debate em aberto
Até ao momento, não existem indicações de utilização massiva desta vulnerabilidade para fins criminosos. Ainda assim, o estudo levanta questões sobre a crescente interligação entre mobilidade e tecnologia.
Os TPMS continuam a desempenhar uma função relevante na prevenção de acidentes. No entanto, a investigação citada pelo Notícias ao Minuto mostra que a evolução tecnológica dos veículos implica novos desafios, sobretudo no que toca à proteção de dados e à segurança digital.
À medida que os automóveis incorporam mais sensores e comunicações sem fios, o debate sobre privacidade e rastreio tende a ganhar relevância.
O alerta lançado pelos investigadores insere-se precisamente nesse contexto: sistemas criados para proteger podem, sem ajustes adicionais, expor informação que poucos imaginavam estar acessível.
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