A proibição de camiões na VCI que utilizem a via rápida apenas para atravessar o Porto poderá entrar em vigor no início do segundo semestre de 2026, segundo adiantou o presidente da Câmara, Pedro Duarte. A aplicação da medida continua, no entanto, dependente da criação de uma solução técnica que permita fiscalizar os pesados abrangidos e distinguir os que entram efetivamente na cidade dos que apenas usam a VCI como corredor de passagem.
De acordo com o Jornal de Notícias (JN), a intenção é retirar da Via de Cintura Interna parte do tráfego pesado que hoje contribui para os congestionamentos frequentes naquela infraestrutura. Em causa estarão os camiões que usam a VCI como ligação entre o norte e o sul do país, ou no sentido inverso, sem destino no concelho do Porto.
Pedro Duarte explicou que o processo não depende apenas da autarquia. A decisão final caberá ao Governo, enquanto a Infraestruturas de Portugal, responsável pela gestão da via, terá um papel central na implementação do modelo que vier a ser aprovado.
Fiscalização é o principal entrave
Segundo o autarca, o Governo já terá preparado o despacho necessário para avançar com a medida, mas falta garantir um sistema técnico que assegure a sua eficácia. O objetivo é criar um mecanismo de controlo e fiscalização capaz de identificar os veículos em incumprimento e permitir a respetiva autuação.
A solução em estudo deverá ser o mais automatizada possível e articular-se com as forças policiais. A ideia passa por permitir que os pesados com guias de transporte destinadas à cidade do Porto possam continuar a circular na VCI, ao mesmo tempo que se limita a passagem dos veículos que apenas atravessam a área urbana.
Pedro Duarte afirmou que a Câmara do Porto e a Área Metropolitana se têm disponibilizado para acelerar o processo, apesar de reconhecer que essa responsabilidade não lhes cabe diretamente. Ainda assim, disse esperar que a solução tecnológica possa ficar pronta até ao verão.
Medida quer aliviar uma das vias mais congestionadas
A proibição de circulação para parte dos camiões surge como uma resposta ao congestionamento crónico da VCI, uma das estradas urbanas mais sobrecarregadas da Área Metropolitana do Porto. A redução do tráfego pesado é vista como uma forma de melhorar a fluidez rodoviária e diminuir a pressão sobre aquela via.
Esta proposta foi apresentada ao Governo pela Área Metropolitana do Porto como complemento à isenção de portagens para camiões na A41, a Circular Regional Exterior do Porto. A estratégia passa por incentivar os pesados a optarem por essa alternativa, em vez de continuarem a usar a VCI como eixo principal de atravessamento.
Recorde-se que os camiões deixaram de pagar portagens na A41 a partir de 25 de fevereiro, com efeitos retroativos a janeiro. A medida pretende precisamente reforçar a atratividade dessa via para desviar tráfego da VCI.
Porto acelera também noutras frentes da mobilidade
As declarações de Pedro Duarte foram feitas na Junta de Campanhã, durante a inauguração de oito novos autocarros elétricos da STCP destinados a servir a freguesia. Os veículos, com capacidade para 55 passageiros, representam um investimento de três milhões de euros, financiado com verbas do PRR.
Na mesma ocasião, o presidente da Câmara do Porto admitiu também a possibilidade de antecipar para o segundo semestre deste ano a gratuitidade dos transportes públicos para os portuenses. A promessa eleitoral previa inicialmente a entrada em vigor dessa medida apenas no início de 2027.
Essa gratuitidade deverá abranger autocarros, metro e comboios, e poderá ganhar novo impulso devido à subida dos combustíveis. A mobilidade urbana está, assim, a afirmar-se como uma das áreas centrais da atuação do executivo municipal.
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