Os preços dos combustíveis voltaram a subir de forma expressiva e continuam a pressionar o orçamento das famílias. Esta semana, o gasóleo simples aumentou oito cêntimos por litro e a gasolina 95 simples sete cêntimos, reforçando uma tendência de agravamento que se tem intensificado desde o final de fevereiro.
De acordo com a Razão Automóvel, publicação especializada no setor automóvel, a subida não dá sinais de abrandamento e já levou o gasóleo a ultrapassar a gasolina em preço médio, uma situação pouco habitual. Desde o início do conflito no Médio Oriente, o gasóleo simples acumulou uma subida de 28 cêntimos por litro, enquanto a gasolina aumentou 14,4 cêntimos.
Diferenças entre postos continuam a contar
Apesar da subida generalizada, há diferenças relevantes entre operadores que podem fazer a diferença no momento de abastecer. Os dados mais recentes apontam para cinco cadeias com preços médios mais baixos, ainda que com variações entre postos.
O Intermarché surge como a opção mais económica, com o gasóleo simples a rondar os 1,780 euros por litro e a gasolina 95 simples nos 1,713 euros. Seguem-se a Q8 e o Auchan, com valores muito próximos. Já o E.Leclerc e o Pingo Doce apresentam preços ligeiramente superiores, mas ainda abaixo de muitos postos tradicionais.
Estes valores são indicativos e podem variar consoante a localização, mas continuam a ser uma referência útil para quem procura poupar.
Gasóleo acima dos dois euros
Um dos sinais mais evidentes desta fase é a subida mais acentuada do gasóleo. Em várias estações de serviço, este combustível já ultrapassou a barreira dos dois euros por litro, enquanto a gasolina se aproxima desse patamar.
A explicação está na combinação entre procura elevada e limitações na oferta. A Europa tem maior capacidade de produção de gasolina do que de gasóleo, o que torna este último mais sensível a choques externos.
Pressão vem de fora
A escalada dos preços está diretamente ligada ao contexto internacional. O agravamento das tensões no Médio Oriente levou ao encerramento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.
Cerca de 20% do comércio global de crude passa por esta via, o que significa que qualquer perturbação tem impacto imediato nos preços. O mercado reage rapidamente a estes sinais, refletindo não só a situação atual, mas também as expectativas futuras de abastecimento.
Medidas fiscais mantêm-se, mas com prazo
Para mitigar o impacto, o Governo mantém em vigor o desconto extraordinário aplicado ao ISP. No total, a redução fiscal corresponde a 6,1 cêntimos por litro no gasóleo e 3,3 cêntimos na gasolina.
Este mecanismo acumula com medidas anteriores implementadas desde 2022 e tem sido ajustado de acordo com a evolução do mercado. Ainda assim, trata-se de uma solução temporária.
Segundo a mesma fonte, o objetivo passa pela eliminação progressiva destes apoios, num processo que está alinhado com as orientações europeias e dependente da estabilização dos preços.
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