Mais de um quinto dos radares rodoviários instalados em Itália teve de ser temporariamente desativado depois de entrar em vigor uma nova regulamentação que obriga os equipamentos a cumprir critérios técnicos mais apertados.
As autoridades italianas foram forçadas a desligar cerca de 850 radares de velocidade que não estavam em conformidade com as novas regras aplicáveis desde domingo, de acordo com o Notícias ao Minuto.
Dos aproximadamente quatro mil aparelhos existentes no país, apenas cerca de 3.150 foram considerados aptos para continuar em funcionamento, segundo informações divulgadas pelo Ministério das Infraestruturas e dos Transportes.
Os fabricantes dos radares agora desativados terão de pedir a respetiva homologação nos próximos meses antes de os equipamentos poderem voltar a ser utilizados pelas autoridades.
Novas regras apertam controlo dos radares
A nova regulamentação determina que os radares automáticos devem desfocar os rostos dos condutores e dos passageiros fotografados no interior dos veículos.
Os aparelhos passam igualmente a ter de respeitar uma margem de erro inferior a 3% quando registam velocidades superiores a 100 quilómetros por hora.
O objetivo passa por garantir que os equipamentos utilizados na fiscalização foram devidamente testados e cumprem critérios técnicos uniformes em todo o território italiano.
Ministro fala em “radares fantasmas”
Matteo Salvini, ministro italiano dos Transportes e vice-primeiro-ministro, celebrou a retirada dos equipamentos que não cumprem as novas exigências.
“Chega de radares fantasmas, que não passavam de um imposto oculto para milhões de trabalhadores e não tinham nada a ver com a segurança rodoviária”, afirmou o governante nas redes sociais.
Salvini, que lidera o partido Liga, tem sido uma das principais vozes contra a utilização de radares que considera excessiva ou sem uma justificação clara relacionada com a prevenção de acidentes.
Multas já tinham sido anuladas pelos tribunais
O Código da Estrada italiano exige desde 1992 que os radares de velocidade sejam homologados. No entanto, durante vários anos não existiu um decreto que definisse concretamente o processo necessário.
Em 2024, o Tribunal de Cassação italiano concluiu que as multas aplicadas através de aparelhos que tinham sido apenas aprovados pela administração, mas não testados e homologados, poderiam ser consideradas inválidas.
Esta decisão provocou inúmeras contestações por parte dos automobilistas e levou à anulação de várias sanções aplicadas por excesso de velocidade.
Itália entre os países com mais mortes na estrada
A desativação dos radares surge numa altura em que Itália continua a apresentar números elevados de sinistralidade rodoviária quando comparada com outros países da Europa Ocidental.
Em 2025, o país registou 49 mortes nas estradas por cada milhão de habitantes, de acordo com dados da Comissão Europeia.
Apesar das críticas aos radares não homologados, as autoridades enfrentam agora o desafio de garantir que a aplicação das novas regras não reduz a fiscalização nas estradas consideradas mais perigosas.
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