A Estrada Nacional 2 está cortada ao trânsito há mais de um ano na zona de Barranco do Velho, no interior do Algarve. A interrupção, provocada inicialmente pela queda de um talude, continua a obrigar moradores, comerciantes e visitantes a fazer desvios, com fortes impactos na economia local.
A via foi encerrada pela Infraestruturas de Portugal no dia 2 de junho de 2025. Desde então, a situação agravou-se, com abatimentos, grandes rachas no asfalto e problemas ao longo de uma área de cerca de um quilómetro.
Moradores falam em estrada destruída
À TSF, Carlos Costa, habitante de Barranco do Velho, descreveu uma estrada em mau estado e sem condições de circulação. “A estrada ruiu e com o inverno, que este ano foi um pouco agreste, partiu-se toda, tem um desnível muito grande e não dá para passar”, afirmou.
As alternativas também levantam preocupação. Quem precisa de aceder à zona tem de utilizar a EN124, por Loulé, onde já são visíveis fissuras no asfalto, ou a Estrada Municipal 1202, a seguir a São Brás de Alportel, que, segundo moradores, também apresenta problemas.
A situação é particularmente sensível porque por aquela zona passam diariamente camiões da Algar, empresa responsável pela recolha de lixo no Algarve, que transportam resíduos para um aterro sanitário situado na área.
Comerciantes dizem perder clientes
Os comerciantes locais queixam-se de uma quebra acentuada na atividade. O proprietário de um café à beira da estrada não escondeu a revolta pela demora na resolução do problema. “É uma vergonha e nós perdemos muitos clientes”, lamentou.
No restaurante Ti Bia, conhecido pela venda de aguardente de medronho da serra do Caldeirão, a quebra também é significativa. A proprietária, Cátia Graça, contou à TSF que passou de cerca de 70 jantares por dia para uma média de apenas 12 a 14.
A comerciante teme ainda o impacto da situação durante o verão, sobretudo numa altura em que aumenta o risco de incêndio. Sem a EN2 aberta, receia que qualquer novo corte nas vias alternativas deixe a população ainda mais isolada.
Autarquia fala em impacto regional
A presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel, Marlene Guerreiro, afirmou que o corte da estrada obriga a desvios significativos e tem “fortes impactos na circulação regional e local”.
A autarca sublinhou ainda que a situação condiciona uma zona de interior que já enfrenta dificuldades próprias. Segundo Marlene Guerreiro, o corte afeta a mobilidade, a economia local, o turismo, a restauração, a hotelaria e projetos turísticos ligados à EN2.
A presidente da Câmara lamentou também a demora do processo, recordando que passaram “oito longos meses” até ao lançamento do concurso para a obra. A informação mais recente apontava para a necessidade de visto do Tribunal de Contas antes do avanço dos trabalhos.
Obra deverá arrancar em julho
Contactada pela TSF, a Infraestruturas de Portugal confirmou que prevê iniciar os trabalhos durante o mês de julho. A intervenção terá um prazo de execução estimado de 180 dias.
O investimento previsto é de 1.374.897 euros. A estrada só deverá reabrir ao trânsito depois de estarem garantidas todas as condições de segurança para a circulação rodoviária.
Para moradores e empresários, a espera tem sido difícil. A EN2 ganhou nos últimos anos uma forte dinâmica turística, sendo procurada por viajantes que querem atravessar o país e descobrir o interior, longe do turismo mais concentrado no litoral.
Interior pede respostas urgentes
Cátia Graça considera que, se a situação tivesse ocorrido no litoral, a resposta teria sido mais rápida. A comerciante critica a falta de ação numa estrada que, segundo afirma, já mostrava sinais de degradação antes do abatimento.
“Já que fizeram tanta propaganda da EN2, que se faça um esforço para a melhorar”, pediu a empresária, apelando a uma intervenção urgente por parte das Infraestruturas de Portugal.
A população de Barranco do Velho espera agora que o calendário anunciado seja cumprido. Até lá, os desvios continuam a marcar o dia a dia de quem vive, trabalha ou tenta visitar esta zona da serra algarvia.
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