Depois do vídeo que gerou indignação nas redes sociais, o caso do homem apanhado a filmar crianças num centro comercial de Portimão ganhou uma nova dimensão. A filha do suspeito veio agora a público dizer que também foi vítima do próprio pai durante anos e pediu que se faça justiça.
O homem, de 70 anos, foi identificado depois de ter sido confrontado por um pai que desconfiou que os seus três filhos estavam a ser filmados na zona de restauração de um centro comercial em Portimão, no Algarve. O episódio ocorreu no passado domingo, 28 de junho, e rapidamente se espalhou nas redes sociais.
Filha diz que também foi vítima
Sem revelar a identidade, a mulher falou ao programa “Casa Aberta”, da SIC, onde apresentou um testemunho emocionado. “Sou filha dele e vítima dele. Não sou a única, mas hoje falo de mim e falo por todas”, afirmou.
Segundo o relato, os abusos terão começado quando era ainda criança e prolongaram-se até aos 18 anos, altura em que conseguiu sair de casa. A mulher descreveu anos marcados por medo, violência e ameaças.
A filha do suspeito contou que vivia num ambiente de terror e que, durante muito tempo, tentou aparentar normalidade fora de casa. Disse ainda que a escola era um dos poucos locais onde conseguia algum descanso.
Relato aponta para violência em casa
No testemunho à SIC, a mulher afirmou que a mãe também terá sido vítima de violência. Segundo contou, a progenitora conseguiu divorciar-se quando ela tinha 11 anos, mas a filha acabou por ficar sozinha com o pai até atingir a maioridade.
A mulher disse que era ameaçada e agredida, e questionou o silêncio de adultos que, segundo ela, saberiam ou suspeitariam do que acontecia. “O que é que uma criança faz? Medo”, afirmou durante a entrevista.
O relato trouxe para o caso uma dimensão familiar e antiga, muito para além do episódio mais recente ocorrido no centro comercial de Portimão.
Tentou apresentar queixa
Depois de ver o vídeo do homem a filmar as três crianças no Algarve, a filha do suspeito decidiu dirigir-se às autoridades. Segundo afirmou, tentou apresentar queixa, mas esta não terá sido aceite por os factos estarem prescritos.
Ainda assim, o seu depoimento terá ficado associado ao processo relacionado com o caso denunciado por Fábio Almeida, o pai das crianças que confrontou o homem no centro comercial.
A mulher disse que decidiu falar porque quer justiça e porque acredita que outras pessoas também poderão ter sido vítimas. O testemunho foi marcado por emoção e por um apelo para que o caso não seja esquecido.
Irmã do suspeito também falou
O programa “Casa Aberta” ouviu ainda uma irmã do suspeito, que afirmou também ter sido vítima. Segundo o relato divulgado pela SIC, o homem terá tentado abusar dela e terá também abusado de outra irmã, que acabou por engravidar e sofrer um aborto.
As acusações agora tornadas públicas agravam a preocupação em torno do suspeito, embora, até ao momento, o caso conhecido pelas autoridades esteja relacionado com a filmagem dos menores no centro comercial.
Segundo a informação divulgada, o homem foi identificado e o telemóvel alegadamente usado para filmar as crianças foi apreendido.
Caso começou com vídeo nas redes sociais
A situação ganhou repercussão depois de Fábio Almeida ter partilhado um vídeo nas redes sociais. Nas imagens, o pai confronta um homem que, ao que parecia, teria o telemóvel apontado para os seus três filhos enquanto estes almoçavam na zona de restauração.
Durante o confronto, o homem terá admitido o que estava a fazer ao dizer que “já tinha parado”. A frase aumentou a indignação e levou a uma forte reação pública.
Posteriormente, uma jovem de 18 anos afirmou também ter sido assediada pelo mesmo homem ao chegar a casa, em Portimão. Esse relato veio somar-se às denúncias que surgiram após a divulgação do vídeo.
Autoridades deverão apurar responsabilidades
O caso continua a causar forte comoção pela gravidade dos relatos e por envolver menores. A investigação deverá agora apurar o que aconteceu no centro comercial de Portimão e avaliar os elementos recolhidos pelas autoridades.
Para já, o suspeito foi identificado e viu o telemóvel ser apreendido. As restantes acusações foram tornadas públicas através dos testemunhos recolhidos pela SIC.
A filha do homem diz que decidiu quebrar o silêncio depois de ver as imagens que circularam nas redes sociais. O seu testemunho transformou o caso de Portimão numa denúncia mais ampla, marcada por acusações antigas, dor familiar e um pedido claro de justiça.
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