A Câmara Municipal de Silves recebeu formalmente o espólio documental e arquivístico do Museu da Cortiça, através de um contrato de doação celebrado com a empresa proprietária do imóvel, 16 anos depois do encerramento daquele equipamento cultural.
A escritura foi assinada pelo empresário neerlandês Erick de Vlieger e pela presidente da Câmara de Silves, Luísa Conduto, numa cerimónia realizada no dia em que o concelho assinala o feriado municipal.
A efeméride recorda a conquista de Silves por D. Sancho I, em 3 de setembro de 1189, quando a cidade se encontrava sob domínio do Califado Almóada.
O Museu da Cortiça, instalado na antiga Fábrica do Inglês, tinha reaberto ao público em 11 de julho, após 16 anos encerrado, na sequência da aquisição do complexo pelo empresário Erick de Vlieger, residente no Algarve há cerca de duas décadas.
Espólio reúne milhares de documentos e fotografias
Durante a cerimónia que decorreu nos Paços do Concelho, o empresário manifestou satisfação por poder entregar ao município a guarda de documentos que considerou “importantes e de enorme significado histórico” para o concelho e para as famílias ligadas à antiga fábrica, permitindo que a sua memória permaneça através dos tempos.
Em declarações à agência Lusa, Luísa Conduto sublinhou que o arquivo “conta a história da sociedade, de pessoas que ali trabalharam”, mas também das relações comerciais e sociais que, durante cerca de cem anos, marcaram a história de Silves através da indústria corticeira.
“São documentos de um dos mais importantes polos industriais do concelho, que é uma parte indissociável da cidade e que faz com que essa memória permaneça viva”, afirmou.
Segundo a autarca, o espólio, composto por milhares de documentos e fotografias, representa “um devolver à população e a Silves de uma parte da sua identidade”.
Arquivo será alvo de tratamento científico
A presidente do município adiantou que o conjunto documental já se encontrava inventariado quando foi anteriormente encaminhado para o Arquivo Distrital de Faro, mas “será agora objeto de estudo e tratamento científico”.
“É um volume grande de documentos da época que agora terão um tratamento científico que não tiveram até agora. Vamos ter essa oportunidade”, afirmou.
O espólio foi cedido gratuitamente ao município pela empresa Antrix, detida pelo empresário neerlandês, não lhe estando atribuído qualquer valor patrimonial.
A documentação ficará, assim, à guarda do município, preservando a memória de um dos principais polos industriais da história de Silves e das comunidades que, ao longo de décadas, estiveram ligadas à atividade corticeira.
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