O Algarve mantém-se entre os principais territórios de residência da população estrangeira em Portugal, com o distrito de Faro a contabilizar 166.124 cidadãos de outras nacionalidades. A nível nacional, residem 1.585.854 estrangeiros, dos quais 493.622 são brasileiros, representando 31,1% do total, segundo o relatório anual da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
O “Relatório de Migrações e Asilo 2025”, divulgado hoje, apresenta dados sobre a atividade da AIMA e analisa a população estrangeira por nacionalidade, tipo de documentação e distribuição geográfica. Entre as diferentes comunidades, a brasileira destaca-se com quase meio milhão de residentes.
Depois do Brasil surgem Angola, com 99.050 residentes, Índia, com 91.405, Ucrânia, com 84.889, Cabo Verde, com 71.005, Nepal, com 53.304, Bangladesh, com 55.579, Guiné-Bissau, com 51.935, Reino Unido, com 47.726, Itália, com 42.418, Paquistão, com 42.042, e São Tomé e Príncipe, com 41.800.
Face ao ano anterior, Portugal passou a contar com quase mais 10 mil cidadãos brasileiros. A população indiana diminuiu e foi ultrapassada pela angolana, enquanto o crescimento da comunidade italiana, em cerca de duas mil pessoas, colocou Itália entre as dez nacionalidades com maior presença no país, à frente do Paquistão e de São Tomé e Príncipe.
Países lusófonos representam quase metade da população estrangeira
No total, os cidadãos dos países lusófonos (Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste) perfazem quase 50 por cento da população estrangeira a residir em Portugal.
“No contexto europeu, destacam-se as comunidades de Itália, Reino Unido e Ucrânia, que continuam a representar uma parcela significativa da população estrangeira residente”, uma situação que “reflete tanto a mobilidade intraeuropeia como a procura de Portugal enquanto destino seguro, estável e atrativo para viver, trabalhar e investir”, refere o relatório anual da AIMA.
Em comparação com 2024, a América do Norte e central, com os EUA à cabeça, foi a região que contribuiu para maior crescimento de imigrantes, com mais 10%, enquanto a Ásia teve uma redução de 4,1%.
A maioria dos estrangeiros são homens (55,6%) e 84,6% estão em idade ativa (entre os 18 e 64 anos) e 135.750 são menores (maioria do sexo feminino).
“A população jovem, entre os 0 e os 17 anos, representa 9,1% do total” de estrangeiros residentes em Portugal, contribuindo “para a vitalidade das escolas e para a construção de trajetórias de integração de longo prazo”, enquanto quem tem “65 ou mais anos representa 6,3%, um valor relativamente reduzido”.
A “leitura conjunta destes dados confirma que a população estrangeira residente em Portugal é jovem, ativa e socialmente dinâmica, desempenhando um papel central na vitalidade económica, na inovação e na coesão social”, pode ler-se no relatório.
Faro é o quarto distrito com mais estrangeiros residentes
Já no que diz respeito à distribuição no território, o distrito de Lisboa tem 605.895 estrangeiros residentes (cerca de 40% do total), seguindo-se Setúbal (173.885), Porto (167.498) e Faro (166.124).
Estes quatro distritos, “em conjunto representam 1.114.402 residentes estrangeiros, correspondendo a 70,3% do total nacional”, uma realidade que “traduz, maioritariamente a atratividade económica e social destas regiões, condicionada à capacidade instalada de acolhimento, integração e oferta de oportunidades”.
No que respeita aos concelhos, Lisboa é o que tem mais estrangeiros residentes (200.073), seguindo-se Sintra (98.652), Porto (60.351), Cascais (53.683), Amadora (55.457), Loures (51.134), Odivelas (50.082) e Almada (39.098).
Pedidos de proteção internacional diminuíram em 2025
No que respeita aos pedidos de proteção internacional, que baixaram de 2.677 em 2024 para 1.765 em 2025, a maioria proveio da Colômbia (246), seguida da China (169), Angola (159), Venezuela (104) e Gâmbia (100).
O relatório adianta que “em 2025, registou-se ainda uma redução muito significativa no número de menores não acompanhados requerentes de asilo, com uma diminuição de 69,6% face ao ano anterior”, passando de 204 em 2024 para 62 em 2025, com a maioria destes casos com origem na Gâmbia, Marrocos e Guiné-Conacri.
“Portugal participou igualmente no Programa de Reinstalação da União Europeia, uma via legal e segura que permite a transferência de refugiados a partir de países terceiros para Estados-Membros que se comprometem a conceder proteção”, tendo sido reinstaladas 258 pessoas, a maioria da Síria (97), seguida do Afeganistão (50).
Dos quase 85 mil ucranianos residentes em Portugal, perto de 65 mil beneficiam de proteção temporária em Portugal, “um mecanismo excecional previsto no direito europeu e nacional, concebido para dar uma resposta rápida, eficaz e humanitária a fluxos massivos de pessoas deslocadas que não podem regressar em segurança ao seu país de origem”, pode ainda ler-se no relatório hoje divulgado.
Leia também: Olhão volta a receber a Feira de São Miguel após cerca de uma década de ausência
















